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26/09/2016Mato Grosso

Mulheres agroextrativistas organizam Dia do Cerrado em Cáceres (MT)

Durante a III Mostra de Frutos do Cerrado, foi possível conhecer o trabalho de grupos que se articularam com objetivo de promover a autonomia econômica de mulheres rurais através do manejo agroecológico e agroextrativista, gerando renda para as famílias e comunidades, garantindo a segurança alimentar


Andrés Pasquis¹

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Apresentação cultural. (Foto: Andrés Pasquis / Gias)

‘Mulheres Rurais que produzem o Brasil Sustentável’, esse foi um dos grandes prêmios que a Associação Regional de Produtoras Agroextrativistas do Pantanal (Arpep), conquistou através do agroextrativismo de frutos nativos como cumbaru, babaçu e pequi. Os alimentos derivados são variados, saudáveis e nutricionalmente enriquecidos, representando os sabores do Cerrado. É com essa experiência que organizaram, no dia do Cerrado (11), a III Mostra de Frutos do Cerrado – Agroextrativismo: natureza, alimento e renda no campo.

Durante o evento, os cacerenses provaram e compraram produtos elaborados pela Arpep, como biscoitos e pães enriquecidos, farinha, óleo, doces, bombons, licores, conservas e duas deliciosas exclusividades: o patê de cumbaru e o mingau de babaçu. Grupo AfroEscola e o Grupo Folclórico Mato-grossense Tradição foram os responsáveis pelas apresentações de danças tradicionais. Além disso, o documentário ‘Babaçu – Floresta de Vida’, que retrata o cotidiano de agricultoras e agricultores familiares no agroextrativismo dessa palmeira e seus derivados, foi exibido.

Silvana Bastos, representante do ISPN, aproveitou a ocasião e apresentou a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, cujo lema é ‘Cerrado, Berço das Águas: Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida’, que será lançada dia 27 de setembro, em Brasília, e que visa conscientizar a população sobre as ameaças que assolam esse bioma, o ‘reservatório de água’ da América do Sul.  “Eventos e produtos com sensibilidade cultural como estes, permitem gerar consciência na sociedade. Isso é muito importante dado o contexto atual, já que o golpe não foi proferido contra um partido ou a presidenta e, sim, contra o povo e os movimentos sociais, que tinham conseguido estabelecer um diálogo com o governo”, declarou. Nesse sentido, Silvana explicou que será necessário organizar e fazer prova de resistência e resiliência, frente a tantos retrocessos. “Momentos assim são extremamente necessários, pois permitem sensibilizar a população. Sem democracia, não há agroecologia ou agroextrativismo”, concluiu.

Os participantes também tiveram a oportunidade de conhecer melhor o trabalho da Arpep, composta pelos grupos Amigas da Fronteira, Amigas do Cerrado, Grupo das Margaridas e Grupo Frutos da Terra. Cada um deles tem sua própria história e identidade, no entanto conseguiram se articular ao redor de um objetivo de promover a autonomia econômica de mulheres rurais através do manejo agroecológico e agroextrativista, gerando assim renda para as famílias e comunidades, garantindo a segurança alimentar. Com o apoio da FASE, anos de trabalho e esforços permitiram alcançar várias conquistas, entre elas a criação da logomarca ‘Do Cerrado’, presente em todos os produtos oferecidos. ‘Ao consumir estes produtos, você está promovendo a saúde do seu corpo, valorizando a preservação do cerrado e seus frutos e incentivando renda e autonomia para mulheres agroextrativistas do estado’, informava um documento à disposição durante a celebração.

Atualmente, a Associação está trabalhando na implantação de sistemas agroflorestais, por isso a expectativa é que a Mostra de Frutos do Cerrado de 2017 seja ainda mais variada e animada.

[1] Edição de matéria do comunicador do Gias.

 

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