Soberania Alimentar

A alimentação é fundamental para a reprodução da vida, sendo um direito humano. Mas a sociedade vive tempos de profundas transformações em que grandes corporações, como a farmacêutica e a química, passaram a ter uma importância enorme na definição dos rumos da alimentação no mundo. A agricultura das grandes monoculturas é concentradora, está em desequilíbrio com a natureza e reduz a diversidade alimentar. Além disso, os alimentos in natura têm hoje um alto grau de contaminação por agrotóxicos e transgênicos. Ocorre ainda a expansão de grandes empresas de comercialização e cadeias de supermercados, que exercem um poder crescente sobre as relações que encadeiam a produção, o processamento, a distribuição e o consumo dos alimentos.

No Brasil, houve melhoras nos índices relacionados à pobreza. E em lugar da desnutrição, embora ela ainda se manifeste em alguns segmentos da sociedade, ocorre o crescimento do sobrepeso, da obesidade e de doenças como diabetes e cardiovasculares. A população consome mais produtos industrializados e ultraprocessados e menos frutas e hortaliças. Dessa maneira perdem-se hábitos alimentares tradicionais, em geral mais saudáveis.

(Foto: Arquivo FASE)
A FASE incentiva políticas públicas que fortaleçam a agricultura familiar  (Foto: Arquivo/ FASE)

O sistema alimentar está em crise. Há mudança na natureza da produção agrícola, nos ecossistemas, na qualidade do alimento e nas formas de sua distribuição. Pesam ameaças à soberania alimentar. Diante dessa realidade, a FASE tem como uma de suas causas a “Promoção da Soberania, da Segurança Alimentar e Nutricional e da Agroecologia”. E se posiciona contrária ao tipo de agricultura que degrada o meio ambiente, concentra terras, promove violência no campo, o inchaço das cidades e faz uso intensivo de venenos e de transgênicos: o agronegócio.

Seja em espaços institucionais, como em conselhos de políticas públicas, ou em trabalhos a campo em várias regiões, junto a famílias agricultoras, quilombolas e agroextrativistas e suas organizações, a FASE sempre relaciona a questão alimentar à luta por Reforma Agrária e garantia dos direitos territoriais, à promoção da agroecologia, à valorização dos conhecimentos tradicionais, à defesa dos direitos das mulheres e à garantia da justiça ambiental. Além disso, busca ampliar o debate sobre as condições da alimentação nas cidades.

Para fortalecer diálogos entre a sociedade civil e os órgãos públicos, a FASE exerce papel ativo no Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e nos Conseas estaduais. No âmbito internacional, procura incidir sobre a política de cooperação e investimentos do país, visando apoiar a resistência ao avanço internacional do agronegócio. Participa também de espaços como a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), o Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN),  a Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida e a Rede Regional de Segurança Alimentar e Nutricional da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (REDSAN-CPLP).

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