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07/04/2006Justiça Ambiental

Monoculturas assolam outros países do continente

Não é só o Brasil que sofre com o avanço das monoculturas. Toda a América Latina parece destinada a servir ao planeta através dos plantios em larga escala, a um custo ambiental e social que não se reverte em benefícios consistentes para o nosso continente


Gloria Regina A.C.Amaral e Fausto Oliveira

Não é só o Brasil que sofre com o avanço das monoculturas. Toda a América Latina parece destinada a servir ao planeta átravés dos plantios em larga escala, a um custo ambiental e social que não se reverte em benefícios consistentes para o nosso continente. A insustentabilidade é a marca do desenvolvimento que nos foi relegado pela divisão internacional do trabalho no século 20, e que o neoliberalismo, ao contrário do que prometia, apenas reforçou. No encontro da Rede Alerta contra o Deserto Verde, representantes do Equador e Costa Rica trouxeram denúncias que confirmam como nossos países, nosso patrimônio natural e humano, estão sob o jugo do poder econômico de grandes empresas transnacionais. Leia o que disseram os participantes de fora do Brasil.

Equador – A Confederação das Nações Indígenas, CONAI, foi a representante equatoriana no encontro. A organização contextualizou a luta indígena pela terra: há uma luta junto ao governo equatoriano para reaver a terra dos povos indígenas. Os problemas provenientes da plantação da monocultura no Equador são semelhantes aos que há no Brasil: “três anos depois que a empresa chegou à cidade, os rios estão secos, as famílias que moram no entorno não podem entrar nas terras e são obrigadas a vender suas terras para a empresa”, afirmou uma representante da CONAI.

Costa Rica – O governo está financiando o cultivo da monocultura de eucalipto para produção de caixas para a exportação de bananas. Segundo a ONG Amigos da Terra, na Costa Rica uma monocultura de 4 mil hectares é muito grande, pois cada família tem direito a apenas 50 hectares de terra, pela lei que reflete a pequena dimensão do país. Para os represntantes da ONG, uma das lutas que a Rede Alerta precisa travar é a questão da certificação. Empresas de celulose como a Plantar e a Aracruz têm plantações certificadas. Nos países que importam os produtos destas empresas, estes selos produzem uma falsa imagem de que o papel é feito de maneira socialmente justa e ambientalmente responsável.

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