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11/10/2008Mato Grosso

Agroecologia e liberdade de sementes: MT debate

No mês que vem, o Mato Grosso terá dois grandes eventos acontecendo juntos, e com muita razão para a união de forças. O 5º Encontro Estadual de Agroecologia e a feira Expo Brasil Desenvolvimento Local vão tomar conta da cidade de Cuiabá entre os dias 11 e 14 de novembro.


Fausto Oliveira

No mês que vem, o Mato Grosso terá dois grandes eventos acontecendo juntos, e com muita razão para a união de forças. O 5º Encontro Estadual de Agroecologia e a feira Expo Brasil Desenvolvimento Local vão tomar conta da cidade de Cuiabá entre os dias 11 e 14 de novembro. Ali, naquele estado onde as forças oligopolistas do agronegócio tentam dominar o meio ambiente e forçar seu modelo empresarial de exportação de commodities, esta será a hora de mostrar mais uma vez os valores da pequena e diversificada produção de alimentos. O encontro de agroecologia defenderá a produção de alimentos orgânicos, saudáveis e diversificados, como forma de garantir segurança alimentar para todos. A Expo Brasil mostrará mais uma vez os caminhos de comercialização e os benefícios sociais trazidos pelo desenvolvimento das alternativas locais de produção e consumo.

Um dos grandes temas do debate agroecológico no Mato Grosso é crucial para o futuro da alimentação no país e, de certa forma, no mundo. Grandes corporações transacionais de biotecnologia têm altos interesses no Brasil. Com seu poder de lobby econômico sobre o Congresso Nacional, elas fazem tramitar projetos de lei perigosos para a segurança alimentar. Um deles diz respeito ao controle de sementes. A idéia das corporações é estabelecer um controle sobre o mercado de sementes, de forma a patentear as sementes que elas fabricam em laboratório e criar leis que forcem a agricultura brasileira toda a usar alguns poucos e sempre iguais tipos de sementes. O resultado de uma política de hegemonia como essa é muito claro. Apesar de ganhos imediatos de produtividade com as sementes criadas em laboratório, a perda de diversidade traria o risco de desabastecimento radical. Isto porque, se as sementes das empresas falharem ou forem contaminadas por pragas, toda a produção de alimentos seria paralisada.

Em oposição a este projeto de hegemonia econômica, os agricultores familiares, populações tradicionais e organizações sociais preocupadas com a sustentabilidade das condições da vida propõem a agroecologia. Um exemplo disso é a prática de troca de sementes, que desde 2004 se realiza entre agricultores dos vários estados produtores de alimentos. Pela troca de sementes, mantêm-se vivas variedades tradicionais de cada vegetal que compõe uma dieta rica em nutrientes, à qual todos nós temos direito. O Grupo de Intercâmbio da Agricultura Sustentável (Gias), do qual a Fase Mato Grosso faz parte da coordenação, promove a prática de troca e cultivo de sementes tradicionais, e hoje já criou um Banco de Informação de Sementes com mais de 500 variedades cadastradas.

Na prática, isso significa que apesar de todos os esforços de corporações como a Monsanto, a Bayer, Syngenta e outras do ramo da biotecnologia, as populações rurais do interior do Brasil resistem. Não estão dispostas a depender destas empresas para plantar. Sabem que as sementes geneticamente modificadas destas empresas não se reproduzem, o que os levaria a ter que comprar novos lotes de sementes todos os anos. Uma situação de grave dependência econômica que não interessa a ninguém, ou talvez somente a grandes fazendeiros cujas intenções se resumem a aumentar sua produtividade em níveis cavalares. Estes não produzem alimento, produzem mercadorias de exportação. Seu modelo é o de uso da terra sem escrúpulos e em nome de seu próprio lucro. O Gias, a Fase, os movimentos sociais rurais e demais atores do campo são comprometidos com a segurança alimentar de todos. Cuiabá será, em novembro, o centro de difusão deste compromisso.

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