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26/01/2007Pernambuco

Agroecologia muda realidade de famílias em PE

A FASE Pernambuco participa de uma nova etapa no desenvolvimento das práticas de agricultura ecológica e sustentável no estado


Fausto Oliveira

A FASE Pernambuco participa de uma nova etapa no desenvolvimento das práticas de agricultura ecológica e sustentável no estado. Ao lado de outras cinco organizações sociais, o programa pernambucano da FASE ajudou a estabelecer uma feira de produtos alimentares agroecológicos no município de Palmares, na Zona da Mata Sul. A iniciativa vem significando um aumento na renda de dezenas de famílias de vários municípios pernambucanos e ajuda a consolidar a agroecologia como alternativa à produção agrícola com uso de agrotóxicos e não integrada ao meio ambiente.

Além da FASE, participam da organização da feira e do acompanhamento das famílias produtoras cinco organizações: Centro Sabiá, Centro das Mulheres do Cabo, Cáritas, Comissão Pastoral da Terra e CEAS. A função destas entidades no projeto é assessorar as famílias que produzem alimentos na adoção das práticas agroecológicas e no escoamento de sua produção. A feira instalada em Palmares se insere nesta perspectiva.

Segundo Marli Araújo, técnica da FASE Pernambuco, a feira de produtos agroecológicos confirmou seu potencial nas primeiras vezes que foi às ruas de Palmares, de quinze em quinze dias desde o dia 16 de dezembro. “Por enquanto, são cinco barracas, sendo uma média de quatro famílias vendendo em cada barraca. Mas se considerarmos que eles trazem produtos de outras famílias que não vão a Palmares, podemos estimar mais de dez famílias representadas por cada barraca”, afirma ela.

O produto agroecológico orgânico, que nas grandes cidades é cada vez mais procurado e consumido, começa a conquistar a preferência da população local. “Houve agricultores que chegaram a ganhar R$ 50 num único dia de feira. Com quatro feiras, ele chegará a R$ 200, vamos estimar um custo de R$ 70 e sobram R$ 130 que ele não tinha antes. É preciso pensar que muitas daquelas famílias praticamente não têm renda”, avalia Marli.

A produção é diversificada e inclui produtos beneficiados. A maior parte vem de sistemas agroflorestais montados pelas famílias com assessoria das organizações. Esses sistemas são responsáveis pela produção ecológica de frutas, tubérculos e alguns grãos, como feijão e milho. As experiências de horticultura orgânica (verduras, ervas e temperos, cenoura, beterraba etc.) ainda precisam ganhar mais robustez. Toda essa produção é vendida in natura ou transformada em bolos, doces e sucos.

O fato de ali vender-se alimentos descontaminados e diversificados já estabeleceu uma freguesia razoável. A população de Palmares começa a sentir que alimento produzido sem defensivos agrícolas é melhor e mais variado, afinal, a agroecologia, por valorizar sementes e alimentos regionais, acaba trazendo de volta à dieta variedades alimentícias que a agricultura industrial não produz mais.

O próximo passo é uma capacitação dos agricultores para que eles possam gerir a feira de forma cada vez mais autônoma.Atualmente, eles participam da Comissão Agroecológica da Mata Sul, em que ainda são assessorados pelas organizações sociais. Com uma capacitação em métodos de gestão e comercialização, espera-se que as famílias antes sem renda possam em muito pouco tempo virar senhoras de suas próprias vidas, capazes de trabalhar e viver de seu trabalho, sem precisar sair do campo e sem depender de grandes esquemas industriais que deterioram a vida camponesa. Marli Araújo afirma que a experiência, qe vem dando tão certo na Mata Sul, deverá ser ampliada para a Mata Centro e a Mata Norte no estado de Pernambuco.

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