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08/11/2008Internacional

América Latina e Caribe farão cúpula no Brasil

Em dezembro deste ano, chefes de Estado da América Latina estarão reunidos em Salvador, Bahia, para dois eventos de integração da região. Um deles é a Cúpula de Presidentes do Mercosul, e outro é a Cúpula América Latina e Caribe


Em dezembro deste ano, chefes de Estado da América Latina estarão reunidos em Salvador, Bahia, para dois eventos de integração da região. Um deles é a Cúpula de Presidentes do Mercosul, e outro é a Cúpula América Latina e Caribe. Estarão em debate os mais diversos temas que afetam a vida dos povos da região. Comércio, políticas sociais e econômicas comuns, segurança e militarização,integração produtiva, migrações e outras questões vinculadas ao desenvolvimento da região. E como já é tradição, as entidades da sociedade organizada latino-americana vão promover a Cúpula dos Povos do Sul. Nela, a voz dos povos vai ecoar com reivindicações e idéias que, como é de praxe, serão ouvidas e de alguma forma acolhidas pelos governos.

O panorama de organização social na América Latina é muito diferente nos dias de hoje. As muitas redes de organizações, fóruns temáticos de luta e outros tipos de iniciativas políticas que surgem das bases sociais vêm incrementando o cenário democrático da região com as cores da diversidade. Enriquecido, o contexto político só ganha com a participação. Cada vez menos as grandes decisões são tomadas exclusivamente nos ambientes palacianos, e cada vez mais em conferências abertas, em que vozes dissonantes podem se fazer ouvir.

Assim, nestas cúpulas de Salvador, as organizações sociais, sindicais, movimentos, redes e fóruns vão voltar a defender um processo de integração que esteja baseado nos direitos dos povos. Para além da integração das grandes infra-estruturas governamentais, para além do fluxo comercial internacional, estas organizações querem que a prioridade do processo de integração esteja na soberania alimentar e energética, em estratégias de desenvolvimento includentes e sustentáveis, na diminuição das assimetrias nacionais, na solidariedade política, econômica, cultural e ambiental entre os países. É forçoso que neste momento histórico de união e diálogo, as políticas governamentais se comprometam em acabar com flagelos como a opressão de raça e gênero e com políticas que resolvam problemas históricos como as deficiências de educação e saúde.

Já foi provado que as mudanças podem acontecer. E agora que o mundo celebra a idéia de mudança que ressurge com força a partir do país mais poderoso do planeta, nada mais natural que as organizações que promovem mudanças com seu trabalho histórico e permanente se unam com mais vigor pelas mudanças que ainda são mais que necessárias em nossos países. No diálogo com os governos, alternativas interessantes têm surgido. Um exemplo é a derrota do projeto antiquado e hegemônico da ALCA, que previa a consagração histórica das desigualdades econômicas regionais entre os Estados Unidos e o restante dos países americanos. Derrotada durante uma Cúpula das Américas em Mar del Plata em 2006. O que se discute hoje são iniciativas muito mais igualitárias e boas para todos, como a União de Nações do Sul (Unasul) e a Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba). É tempo de mudanças nas Américas.

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