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17/08/2007Justiça Ambiental

Caravana critica transposição do rio S. Francisco

Entre 19 de agosto e 1º de setembro, 14 pessoas farão uma caravana por 12 cidades do país para combater o projeto de transposição do rio São Francisco


Entre 19 de agosto e 1º de setembro, 14 pessoas farão uma caravana por 12 cidades do país para combater o projeto de transposição do rio São Francisco. A equipe é formada por professores da área de hidráulica e agronomia, por pescadores, indígenas, representantes do Ministério Público de Sergipe e da Articulação do Semi-Árido. Durante os dias de viagem, eles vão falar em diversos debates e reuniões com autoridades sobre os possíveis danos ambientais, sociais e econômicos do projeto de transposição. No nordeste, está claro para boa parte da população que a transposição beneficiaria apenas empresas de engenharia, fazendeiros, criadores de camarão em cativeiro e outros atores do hidronegócio. Mas como no resto do Brasil há pouca informação sobre isso, eles iniciam a gira.

A viagem começará em Belo Horizonte, capital do estado onde nasce o rio São Francisco. Lá, terão reunião com o governador Aécio Neves e com a Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Em seguida vão para o Rio de Janeiro, depois Brasília e São Paulo. Nestas cidades, haverá encontros com autoridades como o prefeito carioca César Maia, deputados federais e os ministros do Supremo Tribunal Federal Ellen Gracie e Sepúlveda Pertence e, finalmente, com o governador paulista José Serra e deputados estaduais de São Paulo.

Depois, a caravana começa a etapa nordestina. Primeiro, ela vai a Natal e Mossoró, no Rio Grande do Norte. Em seguida, Fortaleza, capital do Ceará, e depois Recife, a capital pernambucana. Partem para João Pessoa, capital da Paraíba, e então Salvador, na Bahia. Depois, Aracaju (Sergipe) e Maceió (Alagoas). Em toda a etapa nordestina, planeja-se uma grande rodada de debates com intensa participação daqueles que são os maiores interessados: a população nordestina que mais uma vez é usada como pretexto para realização de grandes obras públicas.

Movimentos sociais da região vêm crescendo na campanha contra a transposição. Não concordam que o rio São Francisco, que já está combalido pelo uso insustentável feito pelas hidroelétricas, o turismo e o desmatamento de matas ciliares, sofra mais esse golpe. Temem que o rio possa realmente perder a força em certos pontos. Além disso, criticam a falsa justificativa do projeto, afirmando que se o governo quer mesmo dar conta da escassez de água no semi-árido nordestino deveria promover o uso das reservas subterrâneas de forma a democratizar o acesso ao recurso que existe, mas é apropriado no mais arcaico regime coronelista. Por fim, advogam a revitalização do rio São Francisco como alternativa ambiental e econômica para a região. E lembram que o hoje presidente Lula, em sua campanha de 2002, quando se elegeu, prometeu não transpor o São Francisco, durante o debate do primeiro turno na Rede Globo.

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