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08/10/2019Direitos Humanos

Celebração e ato ecumênico encerram Missão no oeste baiano

Missão teve como objetivo unir vozes, denunciar as situações de violações de direitos e levar uma mensagem de esperança para as comunidades e povos tradicionais do Cerrado


CESE¹

Num clima de fé e esperança, os participantes da “Missão Ecumênica pelas Águas do Cerrado da Bahia: Das nascentes ao São Francisco, águas para a vida!”, vivenciaram um momento especial de mística, solidariedade e espiritualidade. Assim como as águas se juntam para tornar grandes rios, os missioneiros de representações de designações religiosas distintas (católicos, protestantes, candomblecistas, lideranças religiosas das populações tradicionais, entre outras confissões de fé) se uniram no Ginásio de Correntina, na Bahia (BA), com o único propósito “a defesa da vida”.

Foto: Thomas Bauer

A iniciativa foi mais uma ação da missão que teve como objetivo unir vozes, denunciar as situações de violações de direitos, e levar uma mensagem de esperança para as comunidades e povos tradicionais do Cerrado. Para Ana Gualberto, assessora de Koinonia Presença Ecumênica e representante das religiões de matrizes africanas na missão, o tema da defesa das águas e das vidas dos povos se afina com o valor ambiental, cultural espiritual do Candomblé: “A água é símbolo de todas as religiões. Eu sou uma mulher de Oxum, que é a dona das águas doces. E minha mãe está muito triste e preocupada com toda essa situação”. E completa: “É de extrema importância que nós estejamos juntos, enquanto toda forma de religiosidade e com a sociedade civil, para que possamos nos expressar contra todas as formas de opressão. É impossível pensar nossa vida sem as águas, sem pensar na proteção na vida das pessoas e do meio ambiente”.

Durante a celebração foram apresentadas: Esquete sobre as violações contra a mãe natureza, produzida por estudantes da Escola Anísia; Cruz Gerazeira, símbolo das Romarias do Cerrado e peregrinação dos povos, confeccionada por um grupo da comunidade de Salto, município de Correntina (BA); Depoimentos de pessoas das comunidades visitadas (Barreiras, São Desidério, Formosa do Rio Preto, Serra Dourada e Correntina); E estandartes representando a caminhada de pessoas que deixaram marcas e tombaram na luta (Eugênio Lyra, Zeca da Rosa, Isaias Cândido, Juvencina Barreto, Pe. André Berenos, Marilene Matos, Chico de Tomé e Maria de Lara).

Entre, cânticos, salmos e orações, as autoridades religiosas que estavam em missão deram testemunhos dos clamores ouvidos e relataram os anseios por justiça e paz. Houve partilha de fé e esperança, intercalando passagens bíblicas relacionadas aos mártires do Cerrado e do seu povo.

Na sequência, o ofertório das potencialidades do Cerrado foi distribuído ao público. Os participantes puderam apreciar não só as bandeiras de lutas dos movimentos e organizações presentes, mas também os alimentos da agricultura camponesa como a rapadura e o melaço. “Umas das formas de resistências dos povos do Cerrado é a sua riqueza na produção de alimentos, orientado por uma agricultura com garantia de autonomia e comida saudável para toda população. Além disso, ofertamos também nossas bandeiras de lutas, nossas forças e nossas condutas”, pontuou Tânia da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Cumprindo como prática de apresentar um documento oficial ao final de cada Missão Ecumênica, a celebração foi encerrada com a leitura da carta de compromisso das igrejas e dos organismos ecumênicos com as comunidades e povos originários da habitam a região oeste da Bahia.

Foto: Thomas Bauer

Após a celebração, os participantes seguiram em caminhada pelas ruas de Correntina. Segurando faixas, cartazes e potes barro com água, os manifestantes chamavam atenção pelo modelo de produção do agronegócio que grila territórios, seca rios, mata o Cerrado e expropria populações. Esse ato é fruto de várias ações que as comunidades locais têm realizado nos últimos anos no município em defesa do bioma e pelos rios da região do Corrente. “Estamos ocupando as ruas também para agradecer por tudo que nós temos no Cerrado, que é a nossa sobrevivência. Sem o nosso Cerrado, nós não temos condições de lutar”, afirmou uma das guardiães do bioma.

Ao final da mobilização, movimentos sociais, organizações populares, comunidades e povos tradicionais, estudante e moradores abraçaram o Rio Corrente em um gesto de respeito e gratidão. “SÃO FRANCISCO VIVE! TERRA, ÁGUA, RIO E POVO”.

MISSÃO ECUMÊNICA – OESTE BAIANO

Com realização do Fórum Ecumênico ACT Brasil e sob coordenação da CESE, a Missão Ecumênica pelas Águas dos Cerrados da Bahia no oeste do Estado contou com as seguintes parcerias: Comissão Pastoral da Terra (CPT); Instituto Padre André; Coletivo dos Fundos e Fechos de Pasto do Oeste da Bahia; Associação de Advogados/as de Trabalhadores/as Rurais (AATR); Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP); Pastoral do Meio Ambiente (PMA); Agência 10envolvimento; Movimento de Atingidos por Barragem (MAB); Escola Família Agrícola Pe. André (EFAPA); Movimento de Mulheres Unidas na Caminhada (MMUC); Conselho Indigenista Missionário (CIMI); Campanha Nacional em Defesa do Cerrado²; Koinonia; Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC); Fundação de Desenvolvimento Integrado do São Francisco (FUNDIFRAN); Associação Ambientalista Corrente Verde; Processo de Articulação e Diálogo (PAD); ACEFARCA; Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA); Cáritas Regional Nordeste3 e Ministério Público da Bahia.

A ação é apoiada pelas agências internacionais HEKS/EPER; Christian Aid; Brot für die Welt e Misereor.

[1] Matéria publicada originalmente no site da CESE.

[2] A FASE é parte da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado e acompanhou a Missão no oeste baiano.

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