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09/11/2007Internacional

Derechos Direitos: a juventude além das fronteiras

O mundo passa diante dos olhos da juventude como um manancial de possibilidades. Mas os mecanismos reais de funcionamento do mundo excluem destas possibilidades uma imensa maioria de jovens de países como os latino-americanos. Qual a reação destas juventudes diante de uma contradição como essa? É o que procura detectar o projeto Derechos Direitos


Fausto Oliveira

O mundo passa diante dos olhos da juventude como um manancial de possibilidades. Mas os mecanismos reais de funcionamento do mundo excluem destas possibilidades uma imensa maioria de jovens de países como os latino-americanos. Qual a reação destas juventudes diante de uma contradição como essa? É o que procura detectar o projeto Derechos Direitos, que é uma iniciativa internacional de articulação da juventude em que a FASE participa aportando a discussão sobre os direitos destes grupos juvenis que, em geral, têm suas vidas atravessadas por situações de pobreza, discriminação e falta de trabalho. Em Mar del Plata, na Argentina, ocorreu há poucos dias o primeiro encontro de jovens brasileiros, argentinos, chilenos e paraguaios que participam deste projeto.

Cerca de 300 participantes estiveram presentes. Mas como a juventude argentina percebeu a oportunidade de uma grande reunião, o encontro do projeto Derechos Direitos foi incrementado com a Semana da Juventude Argentina. Ao total, os cinco dias de encontro foram de intenso debate acerca dos problemas da juventude destes países. E por mais diferentes que sejam suas realidades culturais, suas trajetórias de vida e seus projetos de mundo, o fato é que certas questões estruturais são comuns. E elas estão ligadas à inescapável questão dos direitos.

Maria Elena Rodríguez, que coordena o projeto e estava com os jovens em Mar del Plata, afirma que “me surpreendeu foi perceber neles uma visão muito abrangente do que significa a luta contra a desigualdade, a transformação do mundo, a utopia de que os jovens podem ser diferentes, e de que a responsabilidade é dos jovens. Eles são muito engajados nesse processo de direitos sociais, civis e políticos”.

O que não significa que não tenham trazido o que refletem sobre suas realidades nacionais e locais. “Os argentinos têm uma discussão grande sobre a recuperação da memória histórica. Dizem ‘estamos aqui hoje porque nossos pais e avós lutaram por direitos, então nós temos que continuar isso’. Os paraguaios uma têm uma discussão muito forte sobre direitos sociais e acesso a terra. O Chile veio com toda a discussão sobre direito à educação, que está à flor da pele por lá. Os jovens do Uruguai trouxeram a discussão do Mercosul, afinal o Parlamento do Mercosul está lá, a secretaria está lá, eles estão muito inseridos nesse debate”, diz a coordenadora. “O que eu acho legal é que o jovem não está se pensando só como jovem, e sim como jovem dentro de uma dinâmica nacional e de desenvolvimento territorial, do país, das discussões internas”.

Os jovens brasileiros, que vinham de Pernambuco e Rio de Janeiro, enfatizaram a questão do direito à cultura. Segundo Maria Elena, isso se dá porque são grupos muito preocupados com as condições de produzir cultura fora dos grandes esquemas industriais e midiáticos, além do fato de que a juventude brasileira está percebendo a cultura como via alternativa à violência das cidades e à dificuldade de conseguir trabalho. Sua participação foi, na verdade, culturalmente bastante produtiva, com a produção de vídeos, grafites e outras expressões durante o encontro. Outro ponto muito forte da participação brasileira foi a participação na vida política do país. “O Brasil trouxe muito a questão da participação, de como os jovens têm que participar na decisão de suas políticas, acho que isso é o mais marcante”, diz Maria Elena Rodríguez.

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