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16/11/2020Mulheres

“Enquanto estivermos vivas, não vão tirar nossa fala”

Mais de 100 mulheres participaram, de forma virtual, do II Encontro de Mulheres do Cerrado, realizado pela Articulação de Mulheres do Cerrado nos dias 11 e 12 de novembro


Com a força dos cantos e das vozes, mulheres cerradeiras celebraram o II Encontro de Mulheres do Cerrado, realizado pela Articulação de Mulheres do Cerrado, nos dias 11 e 12 de novembro, através de uma plataforma virtual devido à pandemia por Covid-19. 

Com o tema “Mulheres do Cerrado construindo resistências”, mais de 100 mulheres participaram do encontro, entre elas indígenas, quebradeiras de coco babaçu, retireiras do Araguaia, geraizeiras, sem terra, atingidas por barragens, camponesas, quilombolas, agricultoras familiares, assentadas e assessoras de movimentos e organizações. Participantes de diversos estados partilharam suas experiências de luta no enfrentamento às opressões que violam seus corpos e territórios. Denunciaram os impactos do agronegócio, grandes empreendimentos, mineração e pautaram a defesa pela vida e pelos corpos das mulheres que diariamente sofrem diversas violências e violações.

O encontro se dividiu em dois momentos. O primeiro com o tema “Capitalismo, patriarcado e machismo, racismo e etnocentrismo como estruturante da realidade social”, que debateu através da facilitação de Carmen Silva, da SOS Corpo, sobre as diversas violências de gênero produzidas pelo sistema de dominação patriarcal e capitalista. Já o segundo momento trouxe a temática do “Sistema Capitalista e Pandemias – O impacto na vida das mulheres e resistências”, que contou com a facilitação das companheiras Maria Kazé, do Movimento de Pequenos Agricultores do Piauí, Fátima Barros, do Quilombo São Vicente no Tocantins, e Meire Diniz, do Conselho Indigenista Missionário e Teia dos Povos no Maranhão, partilhando sobre os protagonismos e resistências das mulheres do cerrado, fazendo conexões com a luta e espiritualidade.

Diante atual conjuntura, muitos desafios se apresentam. De um lado, a Covid-19 tem distanciado os corpos que se nutrem através dos abraços e das partilhas presenciais. De outro, atinge territórios tradicionais e indígenas em todo o país, agravando os diversos impactos já existentes, produzidos pelos ataques do atual governo com o desmonte de políticas públicas e violações aos direitos das mulheres e dos territórios tradicionais. Foi nesse contexto que o encontro mostrou que, apesar disso, as mulheres cerradeiras seguem de pé e em luta!

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