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03/07/2006Direitos Humanos

Expedito em busca de outros nortes

Uma obra sobre poesia e luta, é assim que se pode definir o filme Expedito em busca de outros nortes, dirigido por Aída Marques e Beto Novaes


Gloria Regina Amaral

Uma obra sobre poesia e luta, é assim que se pode definir o filme Expedito em busca de outros nortes, dirigido por Aída Marques e Beto Novaes. É a história de Expedito Ribeiro de Souza, um brasileiro de Minas Gerais que, como muitos outros, saiu de sua cidade em busca de terra e trabalho. O filme conta, através da história de vida e morte deste poeta trabalhador, uma parte da história do país que não é ensinada nas escolas.

Ainda no governo militar, na década de 70, Expedito trabalhava em Goiás quando ouviu no rádio a promessa de reforma agrária na Amazônia. Uma população composta de pessoas das mais diversas origens e com diferentes intenções, movidas pela necessidade ou pela ambição, se deslocou para o sudeste do Pará. Expedito foi, com parte da família,
tentar a vida lá… Poesia, trabalho e luta social, não necessariamente nesta ordem, eram o motor da vida de Expedito, que chegou a Presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Rio Maria substituindo João Canuto, que fora assassinado em 1985. Segundo Beto Novaes, um dos diretores do filme, Expedito participou do congresso de fundação do Departamento Nacional de Trabalhadores Rurais da CUT, em outubro de 1990, quando denunciou as ameaças que vinha sofrendo. Em seu discurso Expedito anunciava a própria morte que viria a se concretizar em fevereiro de 1991.

Expedito em busca de outros nortes resgata a vida, a luta e a morte desse poeta, mas também a sua poesia… Na voz de ninguém menos que Chico Buarque alguns poemas seus são declamados no filme, que teve sua pré-estréia no Rio de Janeiro, no dia 23 de julho e também já foi apresentado no Espírito Santo, para os parentes de Expedito, e em Rio Maria, onde ele militava.

Os diretores foram convidados a pré-lançar o filme no Rio como parte de uma programação de eventos que aconteceram na cidade por ocasião do 13º aniversário da Chacina da Candelária. A organização do evento levou 100 familiares de pessoas vitimadas pela violência da polícia e do crime organizado e 200 estudantes de cursos pré-vestibulares para carentes para assistirem a exibição do filme. Houve um debate com a participação de uma sobrinha de Expedito, Maria Pereira, fundadora do Sindicato das Empregadas Domésticas do Estado do Espírito Santo. O público geral também teve acesso à sessão.

Segundo Beto Novaes a intenção é de que o filme ocupe não apenas as salas de exibição de cinemas, mas também salas de aulas nas escolas e universidades para que os estudantes brasileiros conheçam, através da história de Expedito, um pouco da verdadeira história dos conflitos e assassinatos que ocorrem ainda hoje na região amazônica. Para tanto será lançado também um DVD que, além do filme, trará os discursos de Expedito no Congresso de fundação do Departamento Nacional de Trabalhadores Rurais da CUT e também músicas da região do Araguaia, apresentadas por artistas do Centro de Cultura de Conceição do Araguaia que teve Expedito como um de seus fundadores.

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