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22/10/2008Rio de Janeiro

Falta de transporte no RJ impede acesso à saúde

Durante a Missão “Saúde para o Rio”, a Relatoria do Direito Humano à Saúde esteve no Sindicato dos Médicos e visitou o Hospital Estadual Getúlio Vargas. Entre os problemas detectados, está a falta de transporte para os hospitais


No primeiro dia da Missão “Saúde para o Rio”, realizada pela Plataforma Dhesca Brasil, o relator Fernando Aith esteve no Sindicato dos Médicos para conhecer os diversos problemas no acesso à rede do SUS na capital carioca. As organizações ligadas ao tema apresentaram várias denúncias sobre a ineficácia no atendimento público à saúde. O relator informou que apesar de ter conhecimento da insuficiência de financiamento a hospitais e postos de saúde, durante a reunião soube de outro agravante: a falta de uma rede integrada de transporte na cidade e com municípios vizinhos.

O Rio de Janeiro é uma referência para a população de municípios próximos que necessita de serviços de maior complexidade e o problema no transporte acarreta maior sofrimento e possivelmente até casos de óbitos evitáveis. O relator foi informado que na capital muitas pessoas são obrigadas a pegar 2 ou 3 ônibus para chegar aos hospitais e o custo desse deslocamento é um problema para a população mais pobre. A prefeitura mantém o chamado “vale social”, que garante gratuidade no transporte para pacientes. Mas, de acordo com as organizações, o processo para recebê-lo é demorado e os acompanhantes não possuem o mesmo benefício. Além disso, foram relatadas denúncias sobre discriminação à população negra, aos portadores de HIV/AIDS e à população carcerária feminina, que não recebe nenhuma assistência médica. A reunião contou com o apoio da organização de assistência social FASE e o CEDAPS.

Durante a tarde a Relatoria do Direito Humano à Saúde visitou o Hospital Estadual Getúlio Vargas e foi recebida pelo Conselho Gestor da unidade. O Getúlio Vargas é um hospital para emergências, que faz diagnóstico e internações, mas não atendimento clínico. Para o Conselho Gestor, além da falta de médicos, insumos e medicamentos, existe a denúncia de que aparelhos são ligados diretamente na fiação elétrica, expondo os equipamentos e funcionários aos perigos do “gato”. Além disso, o Hospital Getúlio Vargas, referência para quase 1 milhão de pessoas, está com 2/3 de sua área desativada, com a equipe médica defasada e com estrutura física degradada.

A Relatoria continua em Missão no Rio de Janeiro até quarta-feira (22). Na agenda desta terça-feira está a visita a postos de saúde da cidade. Na quarta-feira, o relator estará em reunião com as comunidades do Complexo do Alemão e do Complexo da Penha para verificar até que ponto a violência urbana interfere no acesso aos serviços de saúde.

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