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22/07/2016Rio de Janeiro

FASE e laboratório de imagem da UERJ lançarão documentário “Território Ocupado”

Filme aborda as transformações urbanas violadoras de direitos na zona portuária do Rio de Janeiro e será lançado no dia 29 de julho. O assunto se mostra ainda mais central no momento em os olhos do mundo estão voltados para a chamada "cidade olímpica"


A fim de evidenciar os efeitos nocivos das recentes transformações urbanas no Rio de Janeiro, o documentário “Território Ocupado” registrou a sobreposição de intervenções em um espaço onde a vida permaneceu pela resistência: a zona portuária da cidade. O filme, uma realização do programa da FASE no Rio de Janeiro e do Laboratório de Imagem da Faculdade de Serviço Social (FSS/UERJ), será lançado no próximo dia 29 de julho, às 18h30, em auditório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Morro da Providência, a primeira favela do Brasil. (Foto: Luiz Baltar)

A partir de diferentes dimensões, moradores do Morro da Providência, considerada a primeira favela brasileira, e do bairro Caju, são destaque no documentário, que aborda os primeiros grandes aterros, a atividade portuária, o surgimento da capoeira, o cotidiano de pescadores da região, dentre outros pontos. A zona portuária carioca é o local onde foi construída a primeira estrada de ferro do Brasil, algo também comentado na produção. A herança ancestral africana está presente na fala das entrevistadas e entrevistados, que consideram extremamente violentas as recentes transformações do Rio de Janeiro em uma “cidade global”, tanto do ponto de vista material e como simbólico.

“Muita gente falou que lutávamos por uma favela, mas é pela nossa história. As pessoas só veem o ter, e acham que Copacabana é melhor do que aqui. Eles não são melhores que a gente. Em nada! Simplesmente a nossa história é essa: foi feita por escravos, paraibanos, pessoas simples que chegaram [no Rio de Janeiro] para tentar a vida”, disse Alessandra Marinho, ouvida no filme, que conta com a produção do coletivo Couro de Rato.

“Cidade global” e violência

capa do livro_portuariaCom 22 mil moradores e reunindo 12 favelas, a injustiça ambiental no bairro Caju fica visível por meio de imagens que mostram o descaso com a Baia da Guanabara e os impactos do tráfego de caminhões carregados de produtos para exportação. Caroline Rodrigues, educadora do programa da FASE no Rio de Janeiro, lembra que enquanto isso, fica para os moradores uma situação de desigualdade na “cidade global”, sede das Olimpíadas de 2016. “A zona do porto, tão importante historicamente, sofreu mudanças que impuseram violações nos modos de vida na região. Mas o documentário mostra que existiu e ainda existe uma resistência que, muitas vezes, passa invisível aos olhos dos que acreditam na versão da “cidade olímpica”, ressalta.

Estão confirmadas as presenças de entrevistados no documentário, de pessoas envolvidas diretamente nas mobilizações de pressão por justiça, além dos envolvidos no processo de elaboração do livro “O Morro da Providência e a Pedra Lisa na Reestruturação da Zona Portuária do Rio de Janeiro”, que também será lançado durante o evento. O objetivo da publicação é divulgar os resultados da última pesquisa realizada pelo Núcleo de Pesquisa e Extensão Favela e Cidadania da FSS/UFRJ.

Serviço:

Local: Auditório da Escola de Serviço Social da UFRJ.
Av Pasteur, 250, Campus da Praia Vermelha.
Data: Sexta-feira (29), a partir de 18h30.

Mais informações: (21) 25367350.

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