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11/10/2017Direito à cidade

HUB das Pretas debate saúde, racismo e gênero

Para Regina Novaes, antropóloga e primeira Presidenta do Conselho Nacional de Juventude, debater saúde, gênero e machismo é debater direitos fundamentais


Acesso, segurança, igualdade, participação e bem estar. Temas que geraram debate durante I Encontro Temático “Saúde, Racismo e Gênero: mulheres jovens negras presentes!” realizado na última sexta-feira, 06/10, na Fiocruz, na zona norte do Rio de Janeiro.

Roda de conversa sobre saúde sexual e reprodutiva

O evento, realizado em  parceria entre a Agenda Jovem Fiocruz e o #HUBdasPretas¹, trouxe à tona um debate que é urgente. Dados mostram que, no Brasil, as mulheres negras são a maioria das que sofrem com diversos tipos de violência. Dos que estão relacionados à saúde, entre as mulheres que sofrem violência obstétrica, por exemplo, as negras são 65,9% das vítimas, segundo levantamento da Fiocruz. As mulheres negras também são a maioria entre as que morrem durante ou em decorrência do parto (53,6% – dados do Ministério da Saúde). No Estado do Rio de janeiro, 56,8% das mulheres vítimas de estupro são negras de acordo com o Dossiê Mulher RJ de 2015.

Para Regina Novaes, antropóloga e primeira Presidenta do Conselho Nacional de Juventude, que falou com as e os jovens presentes no encontro sobre o panorama da construção de políticas públicas de juventudes no Brasil, debater saúde, gênero e machismo é debater direitos fundamentais. “Dentro da juventude exitem trajetórias juvenis e isso precisa ser visto e pensado. E, num momento em que estamos perdendo direitos, esse debate é fundamental”, afirmou a antropóloga.

Jovens do HUB das Pretas e demais convidadas e convidados ao final do encontro na Fiocruz

Rita Correa Brandão, diretora adjunta do Ibase², destacou a importância do projeto Jovens Mulheres Negras Fortalecidas na Luta Contra o Racismo e Sexismo – HUB das Pretas, para a instituição e ressaltou a relevância desta articulação diante do atual cenário político e social brasileiro. “Em um momento de retrocesso de direitos e de ataques às políticas de juventude, esse projeto é de extrema importância pois não deixa esse debate morrer e fortalece às e os jovens para continuarem essa luta”, disse a diretora.

Os representantes das organizações FASE, Criola e Oxfam Brasil, instituições parceiras na realização do projeto, também estiveram presentes durante o evento que contou ainda com oficinas temáticas para o debate entre as e os jovens presentes. Yane Mendes, de Pernambuco, é uma dessas jovens. Parte do HUB das Pretas de Recife, Yane disse levar para casa a certeza de sair fortalecida para continuar trabalhando e acreditando em seus ideais. “Aqui eu conheci várias meninas que, como eu, sofrem no dia a dia com o preconceito, o racismo e o machismo. E que, assim como eu, lutam contra isso. Certeza que voltarei para Recife com muito mais força para seguir meu caminho”, resumiu a jovem.

[1] O encontro realizado na Fiocruz foi uma das atividades do intercâmbio dos HUBs que ocorreu no Rio de Janeiro entre os dias 04 e 08 de outubro.

[2] Texto sobre a cobertura do evento foi publicado originalmente no site do Ibase.

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