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14/05/2021Amazonia

Jovens do Pará realizam webinário em defesa dos territórios tradicionais

No evento virtual foram exibidos os vídeos produzidos pelo coletivo Juventudes Comunicadoras da Resistência sobre o impacto dos grandes empreendimentos nos seus territórios e nos modos de vida


Alcindo Batista¹

O coletivo Juventudes Comunicadoras da Resistência, grupo formado a partir de oficinas de comunicação realizadas pelo programa da FASE na Amazônia, realizou o webinário “Vozes em defesa dos territórios”. O evento virtual reuniu jovens de diferentes partes do Baixo Tocantins e da Região Metropolitana de Belém que apresentaram conteúdos audiovisuais sobre os modos de vida na Amazônia e os conflitos enfrentados pelas comunidades. O objetivo é apresentar, aos que não conhecem esses territórios, a cultura cada vez mais ameaçada pelos megaempreendimentos locais como portos, ferrovia e lixões. 

 

“Participei da oficina promovida pela FASE, com isso aprendi algumas técnicas e pude produzir o vídeo falando da minha comunidade. Todas as pessoas que produziram suas obras ressaltaram os perigos que suas comunidades vêm sofrendo. Elas são muito importantes para nós, jovens, pois é uma forma de resistência e acaba sendo uma denúncia, o que é muito importante para a comunidade”, conta Josiane Tauera, 23 anos, da Comunidade Agroextrativista Tauerá de Beja, no município de Abaetetuba, no Pará. 

Para Max Costa, da comunidade Rio Costa Maratauíra,  a ideia é fazer uma desconstrução. “Parece que não mora ninguém, que não existem peixes e toda uma diversidade florestal. A gente que é morador, sabe a importância de cada flor, de cada fruto, de tudo. Se uma árvore é cortada, o rio sente. Se o rio é impactado, as árvores sentem também. A gente quer mudar essa narrativa, quer ter a capacidade de mostrar a nossa forma de viver, e a nossa voz em defesa desses territórios, e disso nós não abrimos mão”.

João Gomes, coordenador da FASE na Amazônia, explica que essa iniciativa pretende fortalecer o protagonismo da juventude das comunidades tradicionais com os quais a FASE vem trabalhando. “Fazer com que eles possam construir as suas narrativas ou as suas contra narrativas ao desenvolvimentismo que está afetando os seus territórios, ameaçando, inclusive, que essas comunidades desapareçam. A ideia é que eles utilizem o recurso do celular, por exemplo, que é algo que eles já tem em mãos”.

Assista todos os vídeos produzidos pelo coletivo.

[1] Estagiário, sob supervisão de Cláudio Nogueira 

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