Notícias

01/12/2020AmazoniaMulheres

Liderança feminista do Pará, Ivana Nobre de Azevedo morre aos 69 anos

Ex-freira, Ivana foi uma das precursoras do Movimento de Mulheres do Nordeste Paraense (MMNEPA). Natural de Manaus, também foi técnica da FASE em Capanema, no início da década de 1990


Foto: Arquivo pessoal

Faleceu, nesta terça-feira, aos 69 anos, Ivana Nobre de Azevedo, uma das precursoras do Movimento de Mulheres do Nordeste Paraense (MMNEPA). Ex-freira em Manaus, foi técnica da FASE em Capanema, no início da década de 1990, quando a organização começava, junto a outras ONGs, a incorporar a dimensão de gênero na sua política pedagógica:

“Ela era a referência desse processo na própria equipe, formada quase na totalidade por homens”, relembra Maria da Graça Costa, presidenta do Fundo DEMA. “Quando ela criou a estratégia do GAM, o Grupo de Apoio à Mulher, a primeira ação foi a realização de um diagnóstico regional chamado ‘Mulher, cadê tua cidadania?’, que focava em quatro temas: saúde, educação, renda e lazer. Depois teve um grande processo de socialização, que deu origem a essa proposta de construção do movimento. A luta naquele tempo era pela sindicalização das mulheres, pois as estruturas estavam tomadas por grupos conservadores. Foram feitas grandes mobilizações, as mulheres ocuparam fisicamente as sedes das associações, até que as diretorias aceitassem o processo de sindicalização”.

Ivana foi uma das principais referências da luta por direitos das mulheres, na articulação das redes de apoio, e na constituição das políticas da Secretaria Nacional dos Direitos das Mulheres, através das conferências estaduais e regionais que mobilizou. Foi diagnosticada com Covid-19, e passou mais de 30 dias hospitalizada com respiração mecânica. Mas uma lesão causada pelas sequelas do vírus provocou uma infecção pulmonar, que levou à morte.

“A Ivana sempre esteve mobilizada para a luta dos direitos das mulheres. Ela deixa esse legado de valorizar o trabalho de base, o contato com as mulheres. Nunca será esquecida pelo que deixou de trabalho, de amigos, de proposta, de ideário na luta por direitos das mulheres”, lembra Graça.

Ouça o depoimento de Graça Costa: 

 

Enviando sua mensagem