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27/09/2008Pernambuco

Líderes indígenas protestam contra assassinatos

Cerca de 200 indígenas e vários representantes da sociedade civil organizada caminharam no Centro do Recife até o Palácio do Governador para denunciar violências contra os povos indígenas e reivindicar eficiência na apuração desses crimes


Após um mês do assassinato do líder do povo indígena Truká, Mozeni de Araújo, cerca de 200 indígenas realizaram nesta quinta-feira (25) uma passeata para protestar contra as constantes violações aos direitos humanos que ocorrem no estado de Pernambuco contra a população indígenas, particularmente contra os Truká, que vivem no sertão do São Francisco em Pernambuco. Apoiados por diversas entidades ligadas aos direitos humanos, os indígenas foram até a sede do governo estadual para exigir maior celeridade e eficiência na investigação do assassinato de Mozeni e de várias outras lideranças mortas desde a década de 90.

De acordo com o cacique do povo Truká – Aurivan dos Santos Barros (Neguinho Truká), a manifestação aconteceu também para relembrar todos os outros assassinatos contra as lideranças indígenas no estado. “Viemos discutir políticas públicas de educação e saúde e, principalmente, a criminalização e os assassinatos de nossas lideranças que vêm sendo cometidos, inclusive, por agentes do Estado que, por sua vez, não toma nenhuma providência”. Os indígenas foram recebidos pelos secretários Rodrigo Pellegrino – Secretário Executivo de Direitos Humanos, e Cláudio Lima – Secretário Executivo de Defesa Social. Entre os encaminhamentos da reunião, destaca-se: a SEJUD irá construir uma agenda mensal chamada de políticas públicas afirmativas com os povos indígenas, além de estabelecer um canal direto com o Judiciário e o Ministério Público para discutir o problema da criminalização das lideranças indígenas. Por outro lado, a SDS informou que o assassinato contra o Mozeni está sob a responsabilidade de uma delegada especial que é experiente, que a SDS irá responder a esse crime com sua apuração que está bastante avançada.

Para o CIMI -Conselho Indigenista Missionário – que acompanha a comunidade desde a década de 80, durante esse tempo já ocorreram “torturas, seqüestros e assassinatos de indígenas, e em nenhum caso os responsáveis foram julgados e responsabilizados”, afirmou o secretário adjunto Saulo Feitosa. Até mesmo o relator da ONU para Execuções Sumárias, Philip Alston, afirmou que em Pernambuco “ muitos dos esquadrões da morte eram compostos por policiais” (Jornal Estado de São Paulo, de 28/05/08). Entre as entidades que acompanharam o ato estavam o MNDH, Centro de Cultura Luiz Freire , CENDHEC, Dignitatis, CPT, CIMI , Apoimne, Centro Macambira e Terra de Direitos.

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