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07/07/2006Internacional

Nos estertores da OMC, movimento gobal avança

Na América do Sul, movimentos sociais se organizam para criar uma cúpula dos povos na Argentina, paralela à cúpula dos países membros do Mercosul


Fausto Oliveira

As últimas movimentações dos governos de países comprometidos com a Organização Mundial do Comércio (OMC) continuam mostrando como o projeto do livre comércio é inviável. Na reunião chamada de “mini-ministerial” (uma espécie de versão menor das reuniões com ministros e embaixadores de todos os países membros da organização), que se realizou nos últimos dias em Genebra, o fracasso foi evidente mais uma vez. Enquanto isso, na América do Sul, movimentos sociais se organizam para criar uma cúpula dos povos na Argentina, paralela à cúpula dos países membros do Mercosul.

Em Genebra, o que aconteceu foi mais uma tentativa de fechar a rodada de negociações da OMC em que os países desenvolvidos tentaram, de todas as maneiras, forçar a abertura das economias em desenvolvimento em diversos setores. Era a Rodada de Doha, referência à cidade no Qatar que sediou o primeiro encontro da OMC nesta rodada. Mais uma vez, a tentativa foi fracassada, pois seguem existindo os mesmos impasses de sempre: países ricos que apóiam suas agriculturas não se abrem a países em desenvolvimento que querem aumentar suas exportações agrícolas; estes por sua vez não se abrem às exportações industriais e aos serviços dos países ricos. Esta é apenas uma das contradições do projeto do livre comércio.

Afogado em contradições, o projeto de liberalização das economias não vai para frente porque o que se pede às nações menos desenvolvidas é inaceitável: que abra mão de uma alternativa própria e autônoma de desenvolvimento em nome da entrada massiva de empresas transnacionais em condições que derrubariam as possibilidades de um desenvolvimento consistente e sustentável em nossos países. Por isso, organizações sociais e movimentos latino-americanos e de outras regiões do mundo dizem simplesmente: “abaixo a OMC”.

E, como forma de opor ao livre comércio uma proposta de integração baseada em pressupostos humanos, os mesmos movimentos e organizações preparam uma agenda na América Latina. No mês de julho, haverá a Cúpula dos Povos pela Soberania e a Integração Sulamericana, na cidade de Córdoba, na Argentina. O evento será entre 18 e 20 de julho, em paralelo Cúpula dos Presidentes do Mercosul e países associados. Vão repetir a fórmula da Cúpula das Américas, em Mar del Plata no ano passado, em que o presidente dos EUA George W. Bush foi duramente hostilizado pelo povo latino-americano.

Lá, os discursos de lideranças sociais vão se concentrar em propor uma alternativa ao livre comércio, uma integração regional em outras bases, com respeito aos direitos dos povos que habitam este continente. Vão se acumular forças para uma outra agenda no fim do ano, desta vez na Bolívia. Será a Cúpula Social pela Integração dos Povos. Aí, os movimentos vão aprofundar a construção de propostas alternativas aos modelos de integração existentes para a região, tais como a Alca, o Mercosul, a Comunidade Andina de Nações, a Alba e os tratados de livre comércio bilaterais.

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