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15/04/2021Direito à cidadeDireitos HumanosPernambuco

Parceria entre FASE e Oxfam Brasil apoia jovens em Recife

Projeto "Juventude nas Cidades" já atendeu 40 jovens da Grande Recife. Em geral, mulheres negras, ativistas, educadoras populares e mobilizadoras de coletivos que lutam em defesas dos direitos humanos


Alcindo Batista¹

Uma vive em Camaragibe, Região Metropolitana de Recife. A outra, em Jaboatão dos Guararapes, na mesma faixa do estado de Pernambuco. Biatriz Santos e Debora Aguiar são duas mulheres negras, ativistas, educadoras populares e mobilizadoras, respectivamente, do coletivo Cara Preta e da Rede da Nacional de Feministas Antiproibicionistas (RENFA). Ambas fazem parte do projeto Juventude nas Cidades, uma parceria da Oxfam Brasil com a FASE, que já atendeu 40 jovens em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Distrito Federal. Esses jovens receberam um cartão alimentação no valor de R$300 durante oito meses em 2020. Em 2021, o benefício está previsto para ir até maio, quando a iniciativa se encerra. 

Biatriz Santos. Foto: Arquivo Pessoal

“Nesse período de pandemia, o cartão alimentação tem ajudado bastante a gente suprir esse processo de vulnerabilidade alimentar que estamos passando”, conta de Biatriz. Dessa forma, Debora complementa dizendo que “quando ele [o cartão] foi lançado, foi uma alegria imensa para toda a comunidade, porque tem sido um período de muita fome, desemprego e de criminalização da pobreza também. Isso fez com que alguns jovens não procurassem outras maneiras de se conseguir dinheiro, alternativas que são penalizadas”.

O ano de 2020 foi marcado pela força das mulheres negras, pobres e periféricas, que, mesmo sendo as mais afetadas pelas consequências da pandemia, protagonizaram ações de solidariedade por todo o Brasil. Debora, por exemplo, que é vereadora suplente em Recife, conta que essa iniciativa está sendo essencial para sua sobrevivência neste período. “Está sendo possível ter comida na mesa, manter o consumo de carne, ter um alimento para poder pensar no alimento para o outro”. Quando soube que estava entre os beneficiários, a mobilizadora diz só conseguia pensar: “eu vou poder dividir o que eu tenho”.

Tanto Debora quanto Biatriz, são atendidas pelo programa da FASE em Pernambuco desde 2016 e, nesses cinco anos, a instituição pôde contribuir para o desenvolvimento pessoal e político dessas jovens. Biatriz revela que sua primeira viagem de avião foi através da FASE,  que proporcionou que ela participasse de um intercâmbio cultural entre redes parceiras. Para ela, essas oportunidades fizeram com que pudesse se conhecer. “Foi possível entender como fazer uma análise de conjuntura, realizar uma leitura mais profundas sobre tudo o que está acontecendo, adquirir opinião própria e não reproduzir discursos vazios”, diz.

Débora Aguiar. Foto: Arquivo Pessoal

Em 2020, a ativista lançou sua primeira candidatura como vereadora pela cidade de Camaragibe. Biatriz foi a candidata mais votada do seu partido (PT) e a segunda mulher mais votada da cidade. Para ela, esse resultado diz muito sobre quem estava ao seu lado na caminhada e o que havia na frente “puxando para ser protagonista, com o poder da caneta na mão e representar a juventude negra e as comunidades onde atuo”. No entanto, a sigla não obteve quociente eleitoral para que ela fosse eleita.  

No mesmo ano, Debora foi presa enquanto distribuía cestas básicas para famílias da periferia da capital pernambucana. Ela conta que a FASE esteve o tempo todo com ela nesse período e até escreveu uma carta falando sobre a sua trajetória e quem era ela para que fosse colocada no seu processo jurídico. “Isso fez com que eu entendesse que eu não estou sozinha construindo as ações”, conta. 

Biatriz em ação de solidariedade nas comunidades Bondade de Deus, Alto do Mirante e Maconhão. Foto: Instagram

Saudosa, Debora relembra “do aconchego de saber que estava chegando o dia da atividade no escritório da FASE e que iria encontrar os/as educadores/as como Mere (Rosimere Nery), Rud (Rudrigro Rafael) e Mônica (Mônica Oliveira, ex-educadora da FASE). Na época, a alimentação ficava por conta da dona Rosa, uma comida muito gostosa”, relembra.  

Por causa da pandemia, a FASE vem seguindo um rígido protocolo de segurança sanitária evitando encontros presenciais, mas o carinho e o acompanhamento aos parceiros e parceiras continua. “A gente acaba tendo um pouco essa ligação quase que materna com a FASE, tanto que a gente consegue chamar ela de mãe. O vínculo que a gente cria com os educadores também é muito forte e talvez por isso que nós não conseguimos nos desvincular de forma nenhuma. A gente conquista outros espaços, mas sempre está voltando e participando de alguma atividade”, conta Biatriz. 

[1] Estagiário, sob supervisão de Cláudio Nogueira

 

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