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07/10/2019Espírito Santo

Pescadores capixabas levam denúncias a entidades de seis países

Intercâmbio da Campanha Nem Um Poço a Mais na Bahia apontou impactos da exploração de petróleo


Vitor Taveira¹

Surgida no Espírito Santo (ES), a Campanha Antipetroleira Nem Um Poço a Mais², que busca denunciar os impactos socioambientais da exploração do petróleo, realizou na Bahia o 2° Intercâmbio Latino Americano de Pescadores e Pescadoras contra a Exploração do Mar. De 29 de setembro a 4 de outubro, pescadores e ativistas de oito estados brasileiros e outros seis países: Colômbia, Honduras, Equador, Guatemala, Holanda e Costa Rica estiveram reunidos para essa ação. 

Foto: Ricardo Sá

O ES foi representado no evento por pescadores de municípios dos litorais sul e norte e da Grande Vitória e também por integrantes do programa da FASE no estado, uma das impulsionadoras da campanha, que é pioneira em tratar do tema a nível nacional. A proposta de encontro surgiu após um intercâmbio realizada no ano passado por um grupo brasileiro à Colômbia para tratar dos impactos da indústria petroleira para os pescadores artesanais. A necessidade de ampliar as relações e conhecer outros territórios levou a este segundo encontro, desta vez na Ilha de Maré, nas proximidades de Salvador.

Tradicionalmente formada por comunidades pesqueiras, a ilha hoje está cercada de empreendimentos industriais, muitos deles ligados à cadeia de petróleo e gás, com registro de uma série de violações de direitos e ameaças à segurança das lideranças, daí a escolha pelo local, ampliando a visibilidade desta luta.

“Para a Campanha Nem Um Poço a Mais, esse encontro mostra muito que a questão das violações relacionadas com a exploração do petróleo estão em todos territórios, seja na cidade, no campo ou no mar. Essas lutas estão invisibilizadas, mas ganham força com esses intercâmbios que ajudam a conectar pessoas e pensar estratégias”, afirma Flávia Bernardes, educadora do programa da FASE no Espírito Santo.

Entre as atividades realizadas, o “Toxic Tour”, um passeio de barco ao redor das instalações petroleiras na Ilha de Maré, como forma do grupo conhecer melhor o território em que o grupo se encontrava e ver de perto os impactos socioambientais da instalação de empresas químicas em comunidades tradicionais. Houve momentos para conversa entre os visitantes e pescadores locais, assim como exposição das lutas e estratégias de resistência nos diferentes estados do Brasil e também nos outros países participantes.

Foto: Ricardo Sá

Um ponto alto do encontro foi a realização do Tribunal dos Impactos Petroleiros sobre a Natureza, os Povos e os Defensores, que aconteceu na Faculdade da Universidade Federal da Bahia, em Salvador. Se tratou de um julgamento simulado no qual foram apresentados casos reais de violação de direitos, com um julgamento simbólico. Ao final, saiu um veredito popular sobre os casos, que será transformado numa carta assinada por todas entidades presentes e traduzidas para diversas línguas.

Também foi realizada a premiação dos Guardiões da Natureza, a exemplo de Vitória, desta vez premiando pescadores da Bahia e do Rio de Janeiro e a organização colombiana Asprosig, associação de pescadores, camponeses, indígenas e afrodescendentes da região do Rio Sinú.

No Espírito Santo, a próxima atividade da Campanha será a realização da terceira edição da Semana Sem Petróleo, com diversas atividades para visibilizar os impactos da exploração petroleira e as alternativas ao uso do petróleo no cotidiano.

[1] Matéria publicada originalmente no site do Século Diário.

[2] A FASE integra a Campanha.

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