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05/02/2013Direito à cidadeRio de Janeiro

Providência recebe jornalistas estrangeiros

Remoções na favela mais antiga do Brasil graças aos megaeventos chamam atenção da mídia


Lívia Duarte, jornalista da FASE

 A tarde nublada do domingo (27/01) foi de caminhada pelo topo do Morro da Providência. Participantes do Fórum Comunitário do Porto responderam às questões de jornalistas estrangeiros – da Alemanha, Suíça e Holanda – interessados em compreender a situação atual do país e processos de mudança diante das obras para a Copa e as Olimpíadas. A maior parte do grupo passará também por outras cidades. “Visitas” assim tem se tornado cada vez mais comuns e se constituem em um modo de divulgar a resistência do morro, garantindo a fala dos moradores e moradoras.

Os profissionais que trabalham para jornais, revistas, rádios e TV viram as imensas pilastras do futuro teleférico, assim como boa parte de sua estação final, na antiga praça Américo Brum. A imagem da ‘modernidade’ gera imenso contraste com as casas antigas e as necessidades básicas nunca atendidas, como saneamento básico: o esgoto desce dentro e fora de canos ao lado da centenária escada ali perto. A sensação de descolamento é ainda maior diante da solidão de uma casa resistente em meio a diversas outras demolidas pela prefeitura. Sobrou, na parede daquela que resiste, apenas, o rosto do antigo morador do lugar talhado por um artista português. E ao fundo havia dois grandes navios para turismo e o batuque que ensaia o carnaval próximo.

Na visita os jornalistas conheceram parte da história da favela mais antiga do Brasil e questões relacionadas ao direito à cidade. Ouviram ainda sobre a necessidade de organização que move a existência do Fórum Comunitário do Porto – um coletivo em oposição à lógica individual ou de “assistência”. Captaram dados relacionados aos problemas de um modo de desenvolvimento que cria muita especulação imobiliária sem nenhum mecanismo que proteja a permanência das comunidades em seus territórios originais. Descobriram sobre o valor dos laços sociais construídos historicamente no dia a dia destas pessoas – laços que são rompidos pelos processos de expulsão pelas desapropriações ou pela crescente especulação imobiliária. Assim vão construindo, tijolo a tijolo, o mapa de motivos que move a vontade de ser ouvido, ficar e resistir.

*Publicado originalmente no blog do Fórum Comunitário do Porto.

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