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07/06/2006Justiça Ambiental

Racismo ambiental: nova perspectiva do drama social

Projeto Brasil Sustentável e Democrático está lançando um novo livro em parceria com a Universidade Federal Fluminense


Fausto Oliveira

O Projeto Brasil Sustentável e Democrático está lançando um novo livro em parceria com a Universidade Federal Fluminense. O livro Racismo Ambiental traz registros do primeiro Seminário Brasileiro contra o Racismo Ambiental, realizado no ano passado. São depoimentos de comunidades e grupos sociais marginalizados, denúncias, análises e pontos de vista que mostram como injustiças ambientais são etnicamente determinadas.

A definição de racismo ambiental é clara no livro. “Chamamos de Racismo Ambiental às injustiças sociais e ambientais que recaem de forma desproporcional sobre etnias vulnerabilizadas. O Racismo Ambiental não se configura apenas através de ações que tenham uma intenção racista, mas igualmente através de ações que tenham impacto racial, não obstante a intenção que lhes tenha dado origem”.

A definição é fruto do seminário feito em Niterói em novembro de 2005. Agora, menos de um ano depois, sai o livro com a memória daquele encontro que se propôs o desafio de jogar luz sobre um fato social praticamente desconhecido. O livro é parte de um processo que os pesquisadores do Projeto Brasil Sustentável e Democrático e parceiros como a Rede Brasileira de Justiça Ambiental pretendem levar à frente.

A idéia é, num futuro não muito distante, produzir um mapa do racismo ambiental no Brasil. Não é impossível, como se pode perceber lendo o livro que resume o seminário. Lá, podemos conhecer casos como a expansão da monocultura de soja no Maranhão, a violência contra quilombolas que vivem próximo à base de Alcântara, a contaminação de índios Cinta Larga por doenças sexualmente transmissíveis, a luta do povo indígena Tremembé contra uma empresa de alimentos no Ceará, a briga de indígenas do Amazonas contra o turismo predatório, os tristes efeitos da ação da Aracruz Celulose no Espírito Santo, o problema de resíduos de chumbo em Santo Amaro da Purificação, e resíduos de manganês no Amapá, a realidade de discriminação dos catadores de lixo da Baixada Fluminense.

Em todos os relatos, é vívida a realidade de degradação social e ambiental em que estão imersas comunidades inteiras por todo o país, por causas em geral relacionadas a necessidades do desenvolvimento econômico. Para perceber esse quadro com mais acuidade, propõe-se agora incluir um olhar étnico sobre o já conhecido problema socioambiental. Mesmo antes de qualquer estudo ou análise mostrando que o racismo ambiental existe, bastava um olhar para as regiões miseráveis e atingidas pelo pior do desenvolvimento para se perceber que ali sempre houve um corte étnico. Agora, não há desculpa para não ver. Diante da cada vez mais nítida tragédia socioambiental, o que resta apenas o dever de não se omitir, e combatê-la.

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