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25/11/2019Bahia

Seminário debate Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) no Vale do Jiquiriçá

Atividade foi realizada pelo programa da FASE na Bahia com o objetivo de avaliar coletivamente os avanços e desafios de ATER, financiado pelo Projeto Bahia Produtiva (SDR / CAR / Banco Mundial)


(Foto: FASE Bahia)

O programa da FASE na Bahia realizou o Seminário Territorial de Avaliação sobre Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater)¹ no território do Vale do Jiquiriçá, reunindo educadores, dirigentes de organizações parceiras e agentes comunitários rurais e em apicultura. A atividade também contou com a presença do fiscal da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) Antônio Pugas. Ao longo de dois dias, 24 e 25 de outubro, foram aplicadas técnicas de avaliação participativa para analisar tanto aspectos quantitativos como qualitativos das ações desenvolvidas em comunidades de agricultoras e agricultores familiares da região.

Houve troca de experiências, em especial, entre quatro comunidades rurais: Putumuju, do município de Teolândia; Canabrava, do município de Elísio Medrado; Tabuleiro da Santa, de São Miguel das Matas; e Duas Barras do Fojo, do município de Mutuípe. Relatos dos agentes comunitários sobre as realidades dessas localidades foram feitos com o objetivo de incorporar elementos à avaliação a partir de experiências concretas. Um dos aspectos destacados foi o desenvolvimento pessoal dos próprios agentes comunitários rurais.

“Para além dos resultados financeiros inerentes a cada atividade produtiva desenvolvida nas comunidades, também devem ser considerados os ganhos à construção de conhecimento e formação pessoal dos jovens agentes comunitários envolvidos nas ações do Bahia Produtiva. É um ganho não mensurável por números, mas que são percebidos nas atividades do dia a dia”, comenta Rosélia Melo, coordenadora do programa da FASE na Bahia.

(Foto: FASE Bahia)

Outra observação recorrente nas discussões foi a preocupação com o cenário político atual. Os presentes avaliaram que a conjuntura não favorece a execução de programas como o Bahia Produtiva, que é possível via governo estadual, com o financiamento do Banco Mundial. Ficou evidente que existem dúvidas sobre continuidade do programa, em virtude do perfil do governo federal. Foi feita ainda uma reflexão sobre o empenho das associações e cooperativa na execução das atividades, dentre elas dias de campo e oficinas comunitárias. 

Aprendizados e desafios

“Antes eu criava umas 10 galinhas e um galo. Era comum animais silvestres abaterem as aves. Com o projeto, conquistei um galinheiro. Também aprendi a vacinar os animais. A produção aumentou e agora eu tiro renda”, conta o agricultor Reginaldo Castro. Ele ressalta que um importante avanço foi o uso da “ração alternativa”. “Aprendi que os ingredientes estão no quintal da gente, como folhas, cascas de mandioca. Não preciso comprar muita coisa. Isso reduziu os custos”, completa. Assim como Reginaldo, Ailton Gonçalves, que também participa do projeto, comemora a venda de aves. “As galinhas agora estão mais graúdas. É muito raro os animais adoecerem. Agora temos a criação toda separada, com bebedouro e até chocadeira”, conta. 

Durante o seminário, foram socializadas informações sobre a execução das atividades da FASE e dos Agentes Comunitários em Apicultura (ACA) e Agentes Comunitários Rurais (ACR) conforme as metas estabelecidas no projeto. Além dos avanços, foram apontado os desafios a serem enfrentados. Dentre eles, estão: a necessidade de aumentar a participação de agricultoras e agricultores do projeto, a existência nos territórios de Declarações de Aptidão ao Pronaf² (DAPs) vencidas e canceladas etc.

(Foto: FASE Bahia)

“Concluímos o seminário ressaltando a importância da realização de uma avaliação processual e contínua. Na atividade, foi possível identificar pontos críticos que precisam ser enfrentados e, para isso, foram dados os devidos encaminhamentos. Também foram identificadas ações importantes que deram certo e que devem ser fortalecidas e disseminadas metodologicamente para outras comunidades”, afirma Nadilton Andrade, educador da FASE na Bahia.

[1] O Projeto Bahia Produtiva recebe o apoio da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) e do Banco Mundial.

[2] Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar.

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