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02/06/2006Agroecologia

Uma articulação para expressar o campo agroecológico

Neste 2º ENA, um novo ator político se apresenta num evento compatível com sua grandeza. É a Articulação Nacional de Agroecologia, a ANA


Fausto Oliveira

Neste 2º ENA, um novo ator político se apresenta num evento compatível com sua grandeza. É a Articulação Nacional de Agroecologia, a ANA. No primeiro Encontro Nacional de Agroecologia, a ANA ainda não estava constituída. Hoje, ela não apenas existe como ganhou força o suficiente para se expressar a multiplicidade de grupos sociais que compõem o Brasil camponês.

Com a realização deste 2º ENA, a Articulação Nacional de Agroecologia pode estar se tornando a mais ampla força política da luta agrária no país. Sua maior riqueza reside no fato de que é aberta a novas demandas e novos temas, desde que eles expressem o desejo de um modelo de desenvolvimento sustentável e a democracia no campo. “É uma articulação que incorpora temas e demandas de organizações de todo o país. A questão da água, por exemplo, foi incorporada à ANA pela Articulação do Semi-Árido nordestino, que está presente na ANA”, diz Maria Emília Pacheco, diretora da FASE e integrante do Núcleo Executivo da ANA.

A ANA está organizada em Grupos de Trabalho, atualmente divididos em seis áreas: biodiversidade, informação, financiamento, acesso a mercados, gênero e construção do conhecimento agroecológico. Assim como o tema da água, que envolve a questão do rio São Francisco, organizações feministas do meio rural já fizeram a incorporação do tema gênero na pauta da ANA. “São diálogos que se cruzam e vão dando forma ao campo agroecológico”, afirma Maria Emília.

“Há tempo precisávamos de um espaço que fosse nacional mas que preservasse as especificidades regionais, as identidades locais, os escossistemas etc. A ANA é um espaço de intercâmbios regionais e nacionais. Essa é sua força”, diz a diretora da FASE. Quando Maria Emília diz que “precisávamos de um espaço”, ela se refere aos muitos movimentos sociais, ONGs, grupos de agricultores, cooperativas, entidades indígenas, quilombolas, sindicatos rurais e outras tantas conformações políticas dos camponeses brasileiros que estavam relativamente dispersas. A ANA vem compor um panorama de entidades costurado nacionalmente para o reforço de lutas locais, regionais e nacionais em torno de princípios que são inegociáveis para a construçao da justiça social e ambiental no campo.

O 2º Encontro Nacional de Agroecologia será a grande oportunidade de consolidação da ANA. A tarefa é imponente: prosseguir na formulação de estratégias para expandir a agroecologia no Brasil, compor estratégias para conter o agronegócio e promover políticas públicas de agroecologia e agroextrartivismo. Durante o ENA, os pouco mais de mil agricultores e representantes de entidades sociais do campo vão formar a cara da Articulação, que vai se enxergar com mais nitidez e reforçar as identidades políticas dos múltiplos atores sociais que a compõem.

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