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06/04/2006Rio de Janeiro

Vem aí nova edição do Mapa dos Conflitos Ambientais

Um novo produto de pesquisa da FASE será lançado em um seminário na Casa da Ciência, departamento da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na semana que vem. É a nova edição do Mapa dos Conflitos Ambientais


Fausto Oliveira

Um novo produto de pesquisa da FASE e do Ippur-UFRJ será lançado em um seminário na Casa da Ciência, departamento da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na semana que vem. É a nova edição do Mapa dos Conflitos Ambientais, fruto de uma parceria entre o Projeto Brasil Sustentável e Democrático e a Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (Ippur) da UFRJ. O seminário vai acontecer nos dias 11 e 12 de maio, e será a oportunidade para se discutir os conflitos ambientais existentes no estado do Rio. O mapa, feito em CD utilizando os mecanismos de navegação e hipertexto, reúne 480 casos de conflito ambiental ocorridos no RJ entre 1992 e 2005.

 Tomou-se o mapa do estado do Rio como base. Em 68 municípios, foram referenciados todos os casos de conflito. Os casos registrados têm em comum o fato de que indústrias, plantações, apropriações de terra ou outras ocorrências atingiram grupos populacionais de baixa renda de maneira socioambiental. Em todos os casos, estes grupos apresentaram denúncias, e a partir daí cada caso teve sua história. O Mapa dos Conflitos Abientais traz o registro geográfico e histórico de cada uma destas ocorrências. Por isso, é um instrumento valioso para se entender a questão ambiental associada ao modelo de desenvolvimento predatório e insustentável. É também prova de como este modelo de desenvolvimento é capaz de agredir grupos humanos e desrespeitar seus direitos.

 Os casos de conflito ambiental foram dividos em 18 categorias. São elas: Mineração; Disposição não licenciada de resíduos industriais; Depósito licenciado de resíduos industriais; Armazenamento temporário de resíduos industriais; Poluição atmosférica; Poluição de corpo hídrico; Poluição do solo; Poluição sonora; Gasodutos, oleodutos, estações de rádio base e linhas de transmissão; Vazadouros de lixo; Lançamento de esgoto em corpo hídrico; Acesso à água potável; Apropriação de corpo hídrico; Deslocamento compulsório de assentamento humano; Ocupações irregulares; Moradia de risco; Comprometimento da pesca; Futuros empreendimentos.

Pela lista de categorias que classificam os 480 casos, pode-se perceber a que estão relacionados os conflitos ambientais no Rio de Janeiro. Não é muito diferente no resto do país, apenas algumas especificidades regionais dão um rosto particular às ocorrências. Contudo, quase sempre é possível identificar atores sociais. Sejam empresas, grandes ou pequenas, fazendas, madeireiros ou outros atores, o fato é que a questão ambiental quase sempre revela o choque de interesses dos atores com poder econômico com aqueles que apenas vivem nos territórios. Estes, sejam indígenas, pequenos agricultores, quilombolas, comunidades tradicionais ou outros grupos, sentem na pele o transtorno de suas rotinas quando casos de degradação ambiental artificialmente provocados lhes atingem.

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