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28/09/2007Pernambuco

Viagem ao mundo do MST

Caio Vinícius Lira de Melo, de 13 anos, nos apresenta um simples, porém belo depoimento sobre sua visita a um acampamento do MST em Pernambuco. Aluno da Escola Arcoiris, situada no bairro da Várzea, em Recife, Caio e outros colegas visitaram o acampamento em função do Projeto Terra e Propriedade, desenvolvido pela escola


Caio Vinícius Lira de Melo, de 13 anos, nos apresenta um simples, porém belo depoimento sobre sua visita a um acampamento do MST em Pernambuco. Aluno da Escola Arcoiris, situada no bairro da Várzea, em Recife, Caio e outros colegas visitaram o acampamento em função do Projeto Terra e Propriedade, desenvolvido pela escola. O projeto resultou na produção de intercâmbio na área de acampamento e envolveu vários alunos durante três dias em diálogo com as pessoas do MST. Além de registro em imagens, os alunos produziram pequenos textos sobre suas memórias e impressões. E esses trabalhos são apresentados regularmente em exposição na própria escola. A seguir apresentamos o relato de Caio:

VIAGEM AO MUNDO DO MST

Nos últimos dias fiz uma viagem para outro mundo, não no sentido literal, mas figuradamente. Eu fiz uma viagem para um lugar onde o homem é valorizado e se valoriza, não pelo que ele tem, mas pelo que ele é. Viajei para onde terra e luta não são duas coisas diferentes, lá existe apenas um conceito: a luta pela terra. Eu viajei ao mundo do MST.

No assentamento do MST existe muita organização, pois eles não são vários trabalhadores liderados por um latifundiário, eles são vários trabalhadores unidos para conseguir viver no ambiente do campo. Eles têm vários tipos de criação: vegetais e pecuária. Criam: milho, feijão, sorgo, abacaxi, caprinos, porcos, galinhas e vários outros. Lá eles tinham um Centro de Educação e uma biblioteca, resumindo, eles são muito organizados e com isso eles conseguem viver bem na sua terra que foi conquistada com muita luta e bravura.

O acampamento é um lugar cheio de barracos, sem saneamento, com meios de vida precários, mas ao contrário do que várias pessoas pensam, lá moram pessoas felizes e de muito bom caráter, pessoas que, mesmo com muito pouca coisas de valor material, têm felicidade e saúde para dar e vender. São pessoas muito diferentes de nós, são simples, mas ao mesmo tempo felizes. Pobres de dinheiro, mas ricos de força e não vão desistir da sua luta até conseguir atingir o seu propósito, viver em um país com a terra distribuída justamente para todos os trabalhadores rurais.

Caio Vinícius Lira de Melo

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