Notícias

23/10/2008Rio de Janeiro

Violência e Acesso à Saúde no Rio de Janeiro

No segundo dia da Missão “Saúde para o Rio”, o principal destaque da Relatoria da Plataforma foi a reunião com as lideranças das comunidades do Complexo do Alemão e da Penha


No segundo dia da Missão “Saúde para o Rio”, o principal destaque da Relatoria da Plataforma foi a reunião com as lideranças das comunidades do Complexo do Alemão e da Penha. Estavam presentes nove entidades representativas, que levantaram muitos problemas envolvendo saúde, condições de moradia, tráfico de drogas, dengue, conselhos de saúde etc. Para os moradores, os maiores problemas clínicos referem-se a hipertensão provocada justamente por questões sociais, como a violência e o desemprego.

De acordo com os relatos, a divisão dos morros por facções faz com que o trabalho em saúde fique limitado, já que muitos agentes contratados têm medo de ir até a população. Nem as ambulâncias do SAMU sobem nas áreas consideradas de risco. Uma das lideranças presentes na reunião, relatou que um posto de saúde teve que ser fechado porque um traficante o invadiu para pegar a lista de mulheres soropositivas. Ele havia sido infectado com o vírus e a partir da lista decidiu expulsar todas as portadoras de HIV/AIDS da comunidade.

Violência contra as mulheres também acontece na falta de métodos contraceptivos e na orientação para o planejamento familiar. Os hospitais próximos aos morros, por exemplo, não dispõem do serviço de laqueadura e, com isso, algumas mulheres já estão na décima gestação. Se optarem pelo aborto e tiverem complicações, muitos hospitais se negam em atendê-las.

A venda de senhas em hospitais foi outra problemática levantado. De acordo com os moradaores, os próprios médicos organizam os atendimentos da forma como querem e deixam de atender os pacientes que vieram de outras comunidades. Os moradores também relataram a dificuldade na implantação efetiva do Programa de Saúde para Família, já que não existe um serviço de referência nas comunidades.

Sobre o crescente número de casos de dengue, os moradores informaram que os agentes contratados pelo governo não são os que já trabalham nas comunidades. Além de terem questionado os requisitos para a contratação, os moradores falaram que os novos agentes têm medo de subir no morro e a população fica, mais uma vez, sem atendimento. Durante o surto de dengue na cidade, muitas pessoas não tinham dinheiro para o ônibus que levaria até os locais de atendimento e a comunidade se mobilizou para a contratação de vans. O problema não era resolvido por inteiro, já que muitas pessoas também não tinham como retornarem para suas casas.

A partir das denúncias feitas, o relator Fernando Aith e a assessora Camila Gilberto irão organizar um relatório para cruzarem dados e informações levantadas. O objetivo é redigir um relatório identificando as principais violações aos direitos humanos à saúde e elaborar recomendações aos poderes públicos, de forma que os problemas sejam resolvidos.

Enviando sua mensagem