*Júlia Motta

Dona Cleide Vasconcelos

Nesta quinta-feira (24), a produtora audiovisual Formiga de Fogo, da Amazônia, lança o filme “O que o rio me falou” que conta a história de Cleide Vasconcelos, cantora, compositora e símbolo de resistência do Quilombo do Arapemã, em Santarém, Pará.

A música faz parte da vida de Cleide desde sempre, estando no seu cotidiano, na sua luta pelo território e no seu amor pela vida e por sua família, que a acompanha na sua trajetória musical. O seu parceiro, José Carlos é o responsável por agitar as festas de Dona Cleide na beira do rio Tapajós, tocando teclado.

Dona Cleide nas águas do Rio Amazonas

“Vou cantar a música da minha vó, ela contava e cantava as histórias do nosso lugar.” O primeiro trecho do filme revela a importância da ancestralidade na trajetória musical de Cleide. E assim como sua avó, a líder quilombola é referência em seu território, sendo reconhecida e admirada pelas mulheres do Quilombo. “A arte de compor e cantar fortalece Dona Cleide como liderança, pois ela faz da música sua ferramenta de luta. Ela é uma grande inspiração para todas nós mulheres quilombolas que a veem como uma referência na valorização e empoderamento das mulheres negras, e no enfrentamento à violência doméstica, que ainda é a expressão mais cruel do machismo”, diz Sara Pereira, educadora da FASE Amazônia. A FASE é parceira e patrocinadora da produção do filme.

Lia Malcher, diretora de “O que o rio me falou”

O filme foi produzido por Lia Malcher, antropóloga e produtora da região do Baixo Tapajós. Durante seu mestrado sobre documentaristas no baixo Tapajós, ela desenvolveu o conceito de “cinema de beira”.“O rio desponta como um agente importante e constante nas narrativas, ele é uma pessoa-personagem convocada dentro e fora dos limites, assim, volto-me à imagem elementar da margem do rio para construir a metáfora que subjaz ao conceito de cinema de beiras”. Na sua nova produção, reforça essa importância do rio ao retratar a influência das águas na cantoria de Dona Cleide. O entorno da sua vida é rio: ela percorre as águas turvas do Rio Amazonas para chegar à outra margem e para voltar para casa.

Keké Bandeira e Dona Cleide

Keké Bandeira , produtora executiva do filme, demonstra como a presença do rio faz parte da trajetória de Dona Cleide:”Há um rio de águas turvas que conduz uma cantoria. Do lado daqui a gente ouve e diz que o vento traz do lado de lá. Na travessia de lá pra cá e daqui pra lá, o motor do barco marca o tempo e a passagem. Dona Cleide flui e desliza sobre as águas sua voz, suas letras, no seu ser líquido”

A produção vai ser lançada pelo canal Formiga de Fogo Filme no Youtube. Veja abaixo o link para o canal e confira a produção.

Formiga de Fogo Filmes – YouTube

*Júlia Motta é estagiária de comunicação da FASE.