Na terça-feira (15), um grave vazamento de óleo foi registrado na Lagoa Parda, em Linhares,  norte do Espírito Santo. O óleo se espalhou pela mata ciliar, manguezal e alagados. Com o aumento das chuvas na região, pode alcançar o Rio Preto e o Rio Doce, e, consequentemente, o mar. Essas são as conclusões da nota publicada pela Campanha Nem Um Poço a Mais.

A Campanha, da qual a FASE é parte, denuncia mais este crime contra a natureza e contra a vida dos povos de pesca artesanal, ribeirinhos, comunidades indígenas e toda população que habita na região. “O vazamento tem volume estimado pela IMETAME Energia de 7 mil litros, e ocorreu a partir do Pólo Lagoa Parda. A IMETAME comprou os poços maduros da Petrobras em 2020, com crédito do Bandes e do Banestes, e apoio direto do governador Casagrande, conhecido como governador fóssil”, destaca a nota.

Até o momento, a empresa não apresentou um Plano de Emergência adequado para a contenção do óleo e limpeza da área. No local há trabalhadores da empresa, mas em número insuficiente. Nas redes sociais há imagens de trabalhadores sem o uso de equipamentos de proteção necessários para este tipo de atividade.

Comunidades de Areal e Entre Rios estão ilhadas pelo óleo. Os animais estão sujos de óleo e as famílias que tiveram contato com o petróleo, ainda não receberam orientação da empresa ou do estado.

Imagens das redes sociais

“Este não é o primeiro vazamento que as populações enfrentam em seu território. Na mesma região, já houve outros graves vazamentos de petróleo e gás, inclusive, que resultaram em mortes. Na região, a exploração de petróleo e gás e sua infraestrutura de apoio vem sendo denunciadas há anos pelos seus derrames e contaminações, seus inúmeros crimes ambientais, o histórico de sistemática violação de direitos humanos e pela violenta transformação de territórios em áreas de sacrifício ambiental e social”, diz a nota.

Na nota, membros da campanha afirmam que o “o estado investe seus parcos recursos para a expansão da indústria petroleira no Espírito Santo. Se em Linhares, um poço maduro pode fazer 7 mil litros de óleo, imagina o que pode acontecer em Presidente Kennedy, no sul do estado, onde o Porto Central quer operar com 300 mil barris por dia? Não há futuro para uma civilização petroleira”.

Texto publicado originalmente no site da Campanha Nem Um Poço a Mais.