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24/09/2015Direito à cidade

FASE participou do programa Conexão Futura sobre ‘Cidades Insustentáveis’

Joana Barros, da FASE, defendeu o direito à cidade e disse que é preciso rever o modelo de produção de cidades, baseado no uso extensivo de combustíveis fósseis como o petróleo


De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE ), nos últimos 60 anos a população urbana no país saltou de 31 para 81%. Nesse mesmo período, a população brasileira cresceu quatro vezes. A partir desses dados, o Conexão Futura instigou o debate sobre “Cidades Insustentáveis”. Em pauta, temas como moradias precárias, engarrafamentos, violência, transporte público deficiente, insegurança, crise hídrica, dentre outros. Joana Barros, do Grupo Nacional de Assessoria (GNA) da FASE, esteve entre os convidados no programa.

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Modelo de produção de cidades é baseado na exploração de petróleo. (Foto: José Cruz/ABr)

Um dos pontos ressaltados por ela foi a importância de se valorizar a diversidade das cidades. “A gente não tem só um tipo de cidade no Brasil. Temos cidades metropolitanas, mas temos também pequenas cidades, médias cidades, cidades amazônicas, cidades do nordeste, cidades no interior do Rio, você tem uma diversidade de vida urbana muito grande no país. E é preciso olhar para isso, porque a gente está construindo cidades muito parecidas, que se baseiam em uma profunda desigualdade, em um tipo de relação com o meio ambiente predatório, e que não acolhe formas de vida e cultura das populações que vivem nesses lugares”, pontuou.

Joana também comentou que ainda hoje as políticas públicas refletem uma “cidade setorizada”. “Ter casa é importante, mas é importante ter um bom hospital perto, é importante não ter que levar quatro horas até o emprego, é importante ter praças… Quando a gente pensa no direito à cidade, a gente pensa em várias camadas da vida, e é preciso que as políticas públicas também sejam integradas para que isso seja possível”, defendeu. Ela também falou sobre a importância e os limites de instrumentos como o Estatuto da Cidade e dos planos diretores. Além disso, defendeu que é preciso rever o modelo de produção das cidades como um todo, pois ele é baseado no uso extensivo de minério, de petróleo e no plantio de monocultivos. “Para tirar um litro de petróleo debaixo da terra, a gente precisa de 1000 litros de água. Então, o volume de produção e de interferência no ambiente é imenso”, exemplificou.

O programa sobre “Cidades Insustentáveis”, apresentado por Juli Wexel,  foi gravado em agosto e também contou com a participação de  Mariana Matera Veras, do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da USP, e Victor Andrade, do Programa de Pós-graduação em Urbanismo da UFRJ.

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