Laura Motta e Samis Vieira
31/03/2026 11:01
Com o objetivo de fortalecer a agricultura familiar, ampliando sua capacidade em produzir alimentos saudáveis e a melhoria da qualidade de vida de povos e comunidades tradicionais agroextrativistas, de agricultores (as) familiares e assentados (as) da reforma agrária, a FASE – Solidariedade e Educação lançou, no dia 9 de março, o projeto “Fortalecer a Agroecologia nos Territórios”, no Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR), em Santarém (PA). A iniciativa fomentará a transição agroecológica para o desenvolvimento sustentável justo nos estados do Pará, Bahia e Mato Grosso, e será executada com o apoio do Ministério de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar a partir do chamamento público nº 01/25 SAF/MDA DA TERRA À MESA BRASIL.
O evento contou com uma mesa de abertura dedicada à contextualização do projeto na região, abordando seus desafios e perspectivas. Participaram da mesa Sara Pereira, coordenadora da FASE Amazônia; Patricia Apolinário, superintendente nacional do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA); Edson Junior, superintendente do Desenvolvimento Agrário do Pará; Nara Lúcia Azevedo, do STTR de Santarém; Marinalda Neres, do STTR de Belterra; Sileuza Barreto, do STTR de Mojuí dos Campos; Marta Campos, do Fundo Luzia Doroty do Espírito Santo; Rui Harayama, do Centro Rede Iaçá; Marlon Damasceno, secretário municipal de Agricultura de Mojuí dos Campos (SEMAGRI); Annelyse Risenthal Figueiredo, da UFOPA; e Ana Claudia, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER).
O encontro também contou com a participação virtual de Cidinha Moura, coordenadora da FASE Mato Grosso, e Rosélia Melo, coordenadora da FASE Bahia, duas regiões que também fazem parte das ações do projeto. Para Cidinha, coordenadora da FASE Mato Grosso, a construção da agroecologia depende da articulação entre territórios e da troca de experiências entre organizações e comunidades. “A agroecologia se constrói de forma coletiva, por meio de encontros, debates e intercâmbios de saberes entre os territórios, fortalecendo as experiências que já existem nas comunidades e ampliando sua visibilidade”, destacou.
Já Rosélia Melo, coordenadora da FASE Bahia, destacou a importância da articulação entre diferentes regiões do país para fortalecer a produção agroecológica. “Iniciativas como o projeto Da Terra à Mesa mostram que, quando organizações e comunidades se articulam em rede, conseguimos ampliar a produção de alimentos saudáveis, fortalecer os territórios e dar visibilidade ao trabalho das agricultoras e agricultores”, afirmou.
Na Bahia o projeto contemplará 150 famílias, em dez comunidades de agricultores e agricultoras familiares, nos municípios de Presidente Tancredo Neves, comunidades Teolândia, Laje e Mutuípe.
Em seguida, foi realizado um Carrossel Agroecológico, espaço destinado para partilha de saberes e vivências práticas entre as organizações beneficiárias. A atividade foi encerrada com um lanche agroecológico, descrito como “comida de verdade dos territórios”, reforçando o papel da soberania alimentar e a valorização da cultura alimentar.
Para Sara Pereira, coordenadora da FASE Amazônia, fortalecer a agroecologia é também fortalecer os territórios e os modos de vida na região. “Fortalecer a agroecologia na Amazônia significa fortalecer os povos e comunidades em seus territórios, valorizando seus saberes e suas formas de produzir. Iniciativas como o projeto Da Terra à Mesa são fundamentais para apoiar quem produz alimento de verdade nos territórios, articulando produção, organização social e acesso a políticas públicas”, destacou.
No Pará serão contempladas 188 famílias com destaque para quatro organizações do território do Baixo Amazonas, com destaque para grupos de mulheres e as juventudes. De três municípios da Região Metropolitana de Santarém, entre as quais: Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Município de Belterra (Amabela), Associação das Mulheres Agricultoras Familiares do Município de Mojuí dos Campos (Flores do Campo), Associação das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Município de Santarém (AMTR) e o Coletivo de Jovens Guardiões do Bem Viver.
Segundo Sileuza Barreto, da Associação de Mulheres Agricultoras Familiares de Mojuí dos Campos, o projeto chega com grande importância para as agricultoras da região. “O projeto chegou para nós com grande importância, pois vai oferecer oportunidades de ampliar nossa produção a partir do fortalecimento da agroecologia. Também vai nos proporcionar mais capacitação para a organização da produção, por meio de planejamentos, além de abrir portas para nossa inserção em políticas públicas a partir de uma produção qualificada. Isso contribui para promover nossa autonomia e empoderamento financeiro, além de dar mais visibilidade ao trabalho das mulheres.”
As ações contemplarão três eixos principais. O primeiro será voltado à Estruturação Produtiva, tendo como temática principal a implantação e manejo de Sistemas Agroflorestais Biodiversos (SAFS), fundamentada na gestão participativa dos recursos naturais e conservação da biodiversidade, visando o aumento da diversificação produtiva de base agroecológica.
O segundo eixo temático trata da Assessoria Técnica Agroecológica, envolvendo o acompanhamento e assistência técnica para implantação e monitoramento das estruturas produtivas, contemplando a elaboração participativa de planos produtivos familiares ou comunitários comunidades com aplicação de metodologias participativas como mutirões, vivências e expedições em terreno para melhoria dos sistemas produtivos.
O terceiro, será voltado à Formação e Capacitação, a partir da formação de Agentes de Transição para a Agroecologia, por meio de um programa de formação pautado em processos participativos de ‘educação popular’ que estimulam o fortalecimento da agroecologia, dos sistemas alimentares, da conservação da biodiversidade, a equidade de gênero, a geração de trabalho e renda e da permanência dos jovens no campo, bem como a participação qualificada das famílias em espaços institucionais, como conselhos de políticas públicas para exigibilidade e garantia de direitos.
Assista ao lançamento na íntegra AQUI.
*Comunicadora da FASE e educador da FASE Amazônia








