Laura Motta
05/05/2026 10:59

Estudo elaborado pela FASE em parceria com a Fundação Rosa Luxemburgo revela a dimensão da pressão de atividades minerárias, energéticas e de infraestrutura sobre os assentamentos da reforma agrária no Brasil. O resumo da pesquisa “Assentamentos sob pressão: análise sobre o avanço da fronteira mineral, energética e de infraestrutura sobre a reforma agrária” mostra que 57,1% dos assentamentos do país já sofrem sobreposição com projetos de mineração, atingindo 13,9 milhões de hectares — o equivalente a 19,1% de toda a área da reforma agrária. A situação é ainda mais crítica na região Norte, onde 65% dos assentamentos são afetados por interesses minerários. Além disso, o estudo aponta que projetos energéticos e de infraestrutura ampliam significativamente essa pressão: além da presença de hidrelétricas, linhas de transmissão, rodovias e ferrovias, houve significativo crescimento da instalação de parques eólicos sobre territórios reformados, especialmente no Nordeste. O levantamento também chama atenção para o avanço da mineração vinculada à chamada transição energética, com destaque para a exploração de minerais como lítio, cobre e terras raras.

O material foi coordenado pela Coalizão Terra é para Plantar e Proteger, composta pelas seguintes organizações: Amazon Watch, Associação Brasileira de Reforma Agrária – ABRA, Associação Regional de Produtores Agroecológicos – ARPA, Comitê em Defesa dos Territórios frente a Mineração – CDTM, Centro de Tecnologia Alternativa do Vale do Guaporé (MT) – CTA, Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares- CONTAG, cosmopoliticas, Federação das Associações de Moradores do Projeto de Assentamento Agroextrativista da Gleba Lago Grande – FEAGLE, FASE, Movimento pela Soberania Popular na Mineração – MAM, Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Terra – MST, Movimento Xingu Vivo para Sempre, Núcleo Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade (UFJF, UFRJ, UFF, UFV, UEG), Observatório de Conflitos da Mineração, Rede Brasileira de Justiça Ambiental – RBJA.

Para organizações que compõem a Coalizão, o avanço da fronteira de grandes empreendimentos sobre assentamentos de reforma agrária pode deslocar a função social da terra, priorizando interesses extrativos em detrimento da produção de alimentos e da permanência das famílias nos territórios.

Baixe o resumo do estudo AQUI.

*Comunicadora da FASE