Laura Motta
24/08/2026 10:46
A FASE participou, nesta quarta-feira (20), dos Diálogos Regionais sobre o El Niño, iniciativa que reúne diferentes setores da sociedade para discutir os impactos e os desafios relacionados ao fenômeno climático. O encontro realizado nesta data foi dedicado à Região Sudeste.
Representando a FASE, Maureen Santos, coordenadora do Núcleo de Políticas e Alternativas da FASE, conselheira do Conselho Nacional de Participação Social e integrante da Comissão Socioambiental do Conselho, participou do diálogo trazendo a perspectiva da justiça climática e a importância de pensar estratégias que vão além da resposta emergencial aos eventos extremos.
Em sua fala, Maureen destacou que, embora o El Niño seja um fenômeno climático, os desastres não atingem todas as pessoas da mesma maneira. As desigualdades sociais, territoriais e econômicas determinam quem está mais exposto aos impactos e quem dispõe de mais recursos para se recuperar.
“Que Brasil precisamos transformar para que o próximo El Niño não produza os mesmos desastres sobre as mesmas populações?”
A partir dessa reflexão, a representante da FASE defendeu que as políticas de adaptação e enfrentamento às mudanças climáticas estejam articuladas a políticas de moradia, saneamento, saúde, segurança alimentar, infraestrutura, trabalho e renda, energia e desenvolvimento, tendo a justiça climática e a redução das desigualdades como princípios.
Maureen também ressaltou o papel da participação social na construção dessas políticas, defendendo que comunidades, povos e territórios afetados sejam reconhecidos como sujeitos capazes de produzir conhecimento, definir prioridades e construir soluções, e não apenas como beneficiários das políticas públicas.
Para a FASE, diante da intensificação e da recorrência dos eventos climáticos extremos, é necessário superar o ciclo de “desastre, emergência, reconstrução e esquecimento” e avançar para uma agenda permanente de prevenção, proteção social, redução das desigualdades e transformação estrutural.
“Da gestão da emergência para a transformação estrutural. Da resiliência individual para a proteção coletiva. E da política climática como resposta ao desastre para a justiça climática como projeto de sociedade”, afirmou Maureen ao encerrar sua participação.
A participação da sociedade civil é fundamental para que o enfrentamento à crise climática seja também um caminho para a garantia de direitos, a redução das desigualdades e a construção de territórios mais justos e resilientes.
*Comunicadora da FASE
