Rebecka Santos
15/10/2026 16:05
A escuta de mulheres que vivem nos territórios da bacia do Rio Tejipió marcou o início de uma nova etapa do Tejipió Consciente, iniciativa da FASE Pernambuco voltada ao fortalecimento da participação comunitária, da justiça socioambiental e das estratégias de enfrentamento aos impactos das mudanças climáticas.
O encontro reuniu mulheres de diferentes comunidades e educadoras da FASE PE em um espaço de diálogo sobre as condições de vida nos territórios, os problemas ambientais vivenciados no cotidiano e as formas de organização construídas pelas próprias comunidades.
“Fortalecer essa participação é também reconhecer as mulheres como sujeitas políticas na construção de respostas para os territórios. A escuta realizada contribui para aproximar as estratégias do projeto das experiências concretas de quem enfrenta diariamente os efeitos da precariedade urbana, dos eventos extremos e da ausência ou insuficiência de políticas públicas”, destaca Géssica Dias, educadora da FASE PE. A iniciativa tem o apoio de organizações de base como o Fórum Popular do Rio Tejipió (FORTE), o Instituto Transformar e o Instituto Solidare.
A bacia do Rio Tejipió possui aproximadamente 93 km², com uma calha principal de 25 quilômetros e 57 afluentes. A maior parte da bacia está em Recife (67%), seguida por Jaboatão dos Guararapes (27%) e São Lourenço da Mata (6%). Ao longo desse território, a densa ocupação urbana se relaciona a diferentes desafios:
- Insuficiência de políticas de micro e macrodrenagem;
- As precárias condições de habitabilidade;
- A ausência de planejamento urbano;
- A falta de uma educação ambiental permanente e integrada;
- A baixa participação popular nos processos de governança socioambiental.
O cenário ganha contornos ainda mais importantes quando observado a partir das desigualdades presentes na bacia. O território reúne uma população majoritariamente negra, com maioria de mulheres e predominância de famílias com renda de até dois salários mínimos.
É nesse contexto que a participação das mulheres ocupa lugar central na nova etapa do Tejipió Consciente, que parte, portanto, do diálogo com as comunidades para fortalecer ações de educação ambiental, participação social e incidência política. O objetivo é contribuir para que os territórios tenham maior capacidade de identificar riscos, formular propostas e participar das decisões relacionadas à proteção socioambiental e à adaptação às mudanças climáticas.
*Comunicadora da FASE PE







