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10/02/2014Fase

MST: os caminhos percorridos e o futuro do 6° Congresso

Nos juntamos a Jean Pierre Leroy e parabenizamos o MST. Leia a carta do educador da FASE


Confira a mensagem de Jean Pierre Leroy, histórico militante da Reforma Agrária e precursor da agroecologia no Brasil, ao saudar os 30 anos do MST e parabenizar pelo 6° Congresso Nacional do Movimento, que acontece entre os dias 10 a 14 de fevereiro:

Companheiras e companheiros do MST,

Na impossibilidade de estar presente no VI Congresso nacional do MST, quero parabenizar o Movimento pelos seus 30 anos de lutas e de vitórias.

A conjuntura atual, em que o domínio do grande capital produtivo e financeiro subjuga até os governos progressistas, colocando em cheque no curto prazo a possibilidade de mudanças reais em direção a maior igualdade e democracia e à construção de um país e de sociedade sustentáveis, a realização do Congresso lembra para todos nós quanto caminho foi percorrido graças ao MST e quanto ele nos diz sobre o futuro.

O MST soube ao longo do tempo enfrentar o latifúndio e se colocar na vanguarda de um projeto de redefinição do rural no Brasil e da agricultura, projeto que buscou implantar com todas as forças possíveis. Frente à crise climática mundial, à erosão da biodiversidade, a começar pelas sementes e matrizes animais, à falta de águas e de água de qualidade, ao empobrecimento e à destruição dos solos, à desertificação ambiental e humana do meio rural – frutos da concentração fundiária e do modelo agroexportador -, o MST propõe à sociedade brasileira e mundial a agricultura do futuro: ancorada na agroecologia, acompanhada da desconcentração urbana e da mudança do paradigma desenvolvimentista neoextrativismo, com a revitalização das economias locais e regionais. Ele mostra na prática que outra economia que não a economia do mercado capitalista é possível.

O MST sabe que o desafio é imenso, mas sabe também mobilizar ao redor desse projeto outros setores do campesinato, povos tradicionais e povos indígenas para além do Brasil. A presença do MST no mundo é motivo de orgulho e de ânimo para nós.

Enfim, num tempo em que boa parte da esquerda parece que renunciou à educação popular, à busca das profundas transformações que necessitamos e ao desenho das necessárias utopias que motivem a humanidade na sua marcha para um mundo mais justo e fraterno, o MST continua envolvendo a juventude na ação e na formação. Eu quero saudar o enorme esforço que a construção de um Projeto de vida para o campesinato hoje e de um Projeto de sociedade par todas e todos amanhã, na ausência de Projetos pré-existentes e com desafios absolutamente novos, significa de coragem, de generosidade, de humildade e de criatividade.

Companheiras e companheiros, quero ser mais um ao seu lado na sua marcha.

Viva o campesinato do mundo e do Brasil!

Viva os Sem terra!

Viva o MST!

Jean Pierre Leroy

*Da Página do MST

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