Notícias

08/07/2014AgroecologiaJustiça Ambiental

Resistência à extração ilegal de palmito de açaí no PA

Famílias de município do Pará respeitam biodiversidade e garantem segurança alimentar


Por Élida Galvão*

Com duas décadas de existência, o município de Trairão, localizado na região da BR-163 (PA), foi consolidado em meio ao processo de ocupação da Amazônia. E assim como outras cidades do oeste paraense, o desbravamento rumo ao ‘Eldorado’ provocou aumento populacional, expansão econômica e, consequentemente, uma série de transformações sociais.

Na época, o esgotamento de açaizais naturais da região da Mata Atlântica levou à migração de várias indústrias de palmito para a Amazônia. A intensa extração deste palmito, inclusive sem o domínio de técnicas de extração adequadas às características da flora Amazônica, fez com que o corte indiscriminado de açaizeiros e suas raízes impossibilitasse o rebroto rápido e a garantia de produção de frutos na safra regional.

Praticada intensamente na região, a exploração ilegal do palmito de açaí causa danos ambientais, coloca em risco a colheita do fruto e a produção do vinho, que é fonte de alimentação da população local.Em reação à preocupante situação, a Associação Comunitária Menino Jesus, localizada no município de Trairão, lançou, em 2011, o projeto “Açaí: preservar para gerações futuras”, aprovado na Primeira Chamada Pública de Apoio a Projetos Socioambientais do Fundo Dema em parceria com o Fundo Amazônia.

Famílias preservam biodiversidade e garantem segurança alimentar

Tendo o açaí como uma das principais fontes nutricionais da comunidade Menino Jesus, o projeto objetiva reduzir a prática de extração ilegal de palmito de açaí por meio do desenvolvimento de boas práticas de manejo de açaizais nativos, contribuindo para a geração de alimento e renda das famílias envolvidas.

O projeto beneficia dez famílias da comunidade, que durante os meses de abril e maio deste ano participaram de dois encontros de capacitação, um em técnicas de boas práticas de manejo de açaizais nativos e outro em legislação ambiental. De acordo com o Marcelino Gabriel, membro da Associação Comunitária, após o período de alagamento em que se encontram atualmente os lotes dos açaizais, as famílias passarão a fazer a limpeza da área para então dar início ao trabalho de manejo das palmeiras nativas.

“A gente vê que o pessoal está muito interessado com o projeto. É muito bom porque o pessoal aprende a fazer o manejo correto do açaí, preservando o meio ambiente e também garantindo a continuidade da atividade, que vai beneficiar a comunidade”, avalia Marcelino.

Por ser fonte de alimento com grande valor nutricional, o açaí pode ser considerado como um produto que garante a segurança alimentar. Além disso, o manejo da palmeira gera renda para a comunidade com a comercialização do palmito.

*Texto do Fundo Dema, que tem a FASE Amazônia como integrante de seu Comitê Gestor.

Enviando sua mensagem