Rebecka Santos
11/05/2026 14:53
Como as mudanças climáticas atravessam o cotidiano de quem vive nas periferias? Em Peixinhos, no município de Olinda (PE), adolescentes participaram de uma oficina de escuta e observação territorial que transformou caminhada, fotografia e memória coletiva em ferramentas para pensar o presente e o futuro do bairro. A atividade integrou as ações do Projeto Renaturalizar Peixinhos e teve como foco identificar os impactos climáticos já sentidos pela comunidade, como calor intenso, chuvas fortes, alagamentos e quedas de energia; além de reconhecer estratégias locais de cuidado, prevenção e adaptação construídas historicamente pelos moradores e pelas moradoras do território.
Realizada no salão do GCASC – Grupo Comunidade Assumindo Suas Crianças, a oficina dividiu os(as) adolescentes participantes em dois grupos temáticos: “calor” e “alagamento”. Com fichas de observação em mãos, elas e eles saíram em caminhada pelas ruas do bairro para observar, registrar e fotografar situações relacionadas às mudanças climáticas e seus efeitos na vida cotidiana. O percurso percorreu trechos da Avenida Nacional e da Avenida Antônio da Costa Azevedo até a Rua Floresta, com quatro pontos de parada ao longo do trajeto. Em cada local, os grupos identificaram elementos do território relacionados às suas temáticas, registrando percepções sobre infraestrutura urbana, presença de áreas arborizadas, condições de drenagem, circulação das pessoas e impactos ambientais observados.
A metodologia priorizou a escuta ativa e o olhar dos próprios adolescentes sobre o chão onde vivem. “O uso da fotografia despertou grande interesse entre os participantes e contribuiu para fortalecer processos de observação crítica da paisagem urbana e das transformações socioambientais do bairro”, destaca a pesquisadora Rafaella Cavalcanti, integrante do projeto e representante do Instituto INCITI.
A ação também buscou valorizar as dimensões culturais e comunitárias que fazem parte da história de Peixinhos e sua relação com as naturezas presentes no território. Durante a sistematização coletiva, realizada após a caminhada, os participantes localizaram no mapa equipamentos e referências comunitárias importantes, como o GCASC, a Escola de Referência em Ensino Fundamental Monsenhor Arruda Câmara (Emac) e o Grupo Boi Menino, compartilhando memórias, experiências e percepções sobre os espaços.
Os registros produzidos evidenciaram como a crise climática afeta de forma desigual os territórios periféricos. De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a capital pernambucana possui 206,7 mil pessoas em áreas sob risco de inundações e deslizamentos, o que também se reflete na sua cidade-irmã Olinda. Nesse contexto, iniciativas de escuta comunitária e participação juvenil tornam-se fundamentais para construir respostas coletivas e territorializadas diante da emergência climática.
Ao final da oficina, as equipes compartilharam os principais achados a partir dos mapas e das fotografias produzidas. “O encerramento destacou a importância da participação dos adolescentes na construção de conhecimentos sobre o território e no fortalecimento de ações futuras do Projeto Renaturalizar Peixinhos”, relata Rafaella Cavalcanti, que também foi uma das responsáveis por conduzir a oficina.
O projeto é implementado através de Termo de Fomento com o Ministério das Cidades, e faz parte de da Ação de SBN nas Periferias, integrante da Estratégia Periferia sem Risco e dos Programas Periferia Viva e Cidades Verdes Resilientes da Secretaria Nacional de Periferias. Além disso, tem o apoio do Governo de Pernambuco e da Prefeitura Municipal de Olinda.
Fotos: Beto Figueroa, Mariana Moraes, Rafaella Cavalcanti e adolescentes
*Comunicadora da FASE PE




