Gabriela Polydoro
06/03/2026 14:06

A FASE Rio de Janeiro, em parceria com a Cooperação Social da Fiocruz, lança hoje a terceira edição da cartografia social “Saúde e defesa de direitos: uma cartografia dos territórios populares do Rio de Janeiro” O material foi construído entre abril e junho de 2025, com 20 defensoras e defensores de direitos humanos integrantes do projeto  “Rede de Defensores de Direitos Humanos e Promoção da Saúde no Estado do RJ”, em um processo que envolveu oficinas, o (re)conhecimento das e dos defensores, de seus territórios, agendas de luta e iniquidades sociais. 

A terceira edição traz a reflexão sobre o contexto sociopolítico atual, marcado pela intensificação do neoliberalismo, do neofascismo, do crescimento de perspectivas autoritárias da extrema direita em escala global, além de reafirmar a cartografia social como uma ferramenta política, estratégica e pedagógica na defesa dos direitos humanos nos territórios. “Nessa cartografia, realizamos um mapeamento das diferentes atuações nos territórios, percebendo quem são os aliados, quem  são os adversários,  as redes já existentes ou em construção, , bem como as possibilidades de fortalecimento e os desafios que atravessam essas atuações. A partir desse processo, foi possível destacar as agendas de de moradia,  relações de gênero e populações LGBTQIA+, relações étnico-raciais, violência, saúde, educação e trabalho digno”, explica Clara de Lima, educadora da FASE RJ, sobre o processo de construção da terceira cartografia. 

A cartografia social representa uma ferramenta pedagógica de grande relevância no trabalho de educação popular promovido pela FASE RJ. Ao longo dos anos, a organização tem utilizado as cartografias sociais como um recurso para evidenciar as desigualdades existentes na sociedade. “As experiências de cartografias desenvolvidas pela FASE partem justamente do olhar de quem vive dentro dos territórios, que são majoritariamente territórios periféricos e de favela. São registros construídos por essas pessoas, por esses defensores de direitos humanos, sobre suas vivências, formas de construir e de usar seus territórios”, diz Caroline Santana, educadora da FASE RJ.

Por que cartografar?

Cartografar é o ato de criar mapas, é uma ação que acompanha o próprio desenvolvimento das sociedades, na medida em que o mapa é ferramenta básica de localização e registro. Historicamente, os mapas foram utilizados como instrumentos de poder, controle e exploração de territórios por impérios e projetos de dominação. Hoje, no entanto, diferentes grupos sociais têm se apropriado da cartografia como um ato de resistência, uma forma de contar suas próprias histórias, valorizar saberes e culturas, denunciar violações de direitos e tornar visíveis realidades que, muitas vezes, são invisibilizadas pelo Estado. “Por meio desses mapas, tornam-se visíveis as violações de direitos, as violências cotidianas, mas também as redes de solidariedade, os espaços de cuidado e as práticas de resistência. Quando essa prática ganha método, intenção e construção coletiva, ela se fortalece como cartografia social: uma ferramenta política, pedagógica e estratégica de visibilização de uma representação específica de mundo”, comenta Bruno França, educador da FASE RJ.

Desde 2023, a FASE RJ mantém uma parceria com a Fiocruz para o desenvolvimento das cartografias sociais, dentro do projeto da Rede de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos. Essa parceria envolve oficinas de formação e produção de conhecimento coletivo. “Nessas cartografias sociais,  defensores e defensoras apresentam como atuam nos territórios, em defesa dos direitos, identificando os determinantes de saúde, os conflitos e quais as soluções que elas encontram no território para reduzir esses conflitos ou mesmo garantir direitos e efetivar políticas públicas”, explica Aercio B. de Oliveira, coordenador da FASE RJ.

A primeira cartografia social, realizada em 2023, refletiu, entre denúncias e anúncios, sobre o funcionamento e as transformações do Estado brasileiro, considerando seu papel de garantir dignidade, justiça e democracia. A segunda cartografia, em 2024, destacou os desafios da mobilização, conquistas, retrocessos e dificuldades, em um contexto de transformações no mundo do trabalho e de influência crescente das redes sociais e plataformas digitais na forma de manifestação e difusão de informações.

Nesta última cartografia, elaborada em 2025, destacou-se a importância de determinados valores, como a solidariedade, cujo enfraquecimento na sociedade atual aumenta os desafios para quem busca justiça social e defende uma democracia substantiva. As três cartografias sociais produzidas pela FASE em parceria com a Fiocruz , estão disponíveis no site, na seção “Biblioteca”.

2023:
https://fase.org.br/pt/biblioteca/saude-e-defesa-de-direitos-uma-cartografia-dos-territorios-populares-do-rio-de-janeiro/ 

2024:

https://fase.org.br/pt/biblioteca/saude-e-defesa-de-direitos-uma-cartografia-dos-territorios-populares-do-rio-de-janeiro-2024/ 

2025:

https://fase.org.br/pt/biblioteca/saude-e-defesa-de-direitos-uma-cartografia-dos-territorios-populares-do-rio-de-janeiro-2025/ 

**Estagiária de Comunicação sob supervisão de Isabelle Rodrigues