Rebecka Santos
11/06/2026 10:55

Quando pensamos em mudanças climáticas, a tendência é imaginar calotas polares ou gráficos distantes. Mas a verdade é que o clima mexe primeiro com a nossa rotina mais imediata. Na escola, isso se traduz naquela sala de aula que vira um forno no meio da tarde, no pátio que alaga quando a chuva aperta, na quadra que fica inutilizável ou na merenda que precisa mudar de acordo com a temperatura.

Para entender como essas transformações afetam quem realmente vive o dia a dia escolar, o projeto ReNaturalizar Peixinhos realizou uma oficina de escuta sensível na Escola de Referência em Ensino Fundamental Monsenhor Arruda Câmara (EREFMAC), em Olinda (PE). A proposta foi reunir estudantes, professores(as), gestores(as) e a equipe de infraestrutura, que cuida da limpeza e da merenda, para construir um diagnóstico vivo e participativo do território.

Ligando o clima às emoções

A parte central da metodologia funcionou em formato de carrossel. Divididos em mesas com papel kraft e tarjetas coloridas, os grupos rodaram por painéis que associavam fenômenos da natureza a sentimentos e problemas de infraestrutura. A comunidade respondeu a perguntas diretas sobre a realidade da escola:

  • Tromba d’água: Foco no acúmulo de sentimentos e nas mudanças drásticas. O grupo mapeou os espaços que deixam de ser utilizados em dias de chuva ou calor extremo, lembrando as vezes em que é preciso transferir turmas ou mudar de sala de última hora.
  • Arco-Íris: Representou o afeto e os fatores de proteção. Apontou os locais mais ventilados e agradáveis da escola, mas também os pontos de maior desconforto térmico.
  • Ventos Fortes: Abordou as viradas na rotina. Debateu como o mal-estar do calor interfere na concentração de quem estuda e trabalha, as limitações da quadra e as mudanças no apetite na hora da merenda.
  • Maré Alta: Trouxe a sensação de sobrecarga. Entraram em pauta os episódios de falta de energia, os desafios para conseguir chegar ao colégio em dias de alagamento e a necessidade de liberação antecipada das aulas.

Eclipse: a hora de olhar para dentro de cada realidade

Depois de debater o panorama geral, a oficina propôs o momento Eclipse, focado na vivência específica de cada segmento. Com mapas da escola sobre as mesas, os participantes usaram canetas e marcadores para sinalizar os pontos exatos de goteiras, infiltrações, acúmulo de água e retorno de esgoto.

Um mapa vivo para o futuro

No encerramento, todos os fluxogramas, desenhos e colagens foram expostos nas paredes para uma caminhada coletiva de observação. Cruzando as respostas em um diagrama de Venn, a comunidade pôde enxergar onde as opiniões se encontravam e onde elas se distanciavam.

O resultado final desse encontro foi um mapa vivo alimentado por quem limpa, quem cozinha, quem gerencia, quem ensina e quem estuda, que ajudará a pensar em soluções alinhadas com necessidades reais. 

O projeto ReNaturalizar Peixinhos é implementado através de Termo de Fomento com o Ministério das Cidades, e faz parte de da Ação de SbN nas Periferias, integrante da Estratégia Periferia sem Risco e dos Programas Periferia Viva e Cidades Verdes Resilientes da Secretaria Nacional de Periferias. As organizações gestoras do projeto são: FASE Pernambuco, INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades, CAUS – Cooperativa Arquitetura, Urbanismo e Sociedade e GCASC – Grupo Comunidade Assumindo Suas Crianças. Além disso, também conta com o apoio do Governo de Pernambuco e da Prefeitura de Olinda.

*Comunicadora da FASE PE