Júlia Têtê
09/04/2026 14:53

A comunidade do Boqueirão da Boaventura, localizada no município de Ubaíra na Bahia, foi palco da realização do Curso de Apicultura, a atividade foi promovida pela FASE (Federação de órgãos para Assistência Social e Educacional), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) e ministrado por Welton Clarindo, meliponicultor e técnico em Zootecnia e Gestor Ambiental.

Welton Clarindo e Raquelice Cardoso, educadora da FASE Bahia, realizaram a abertura do Curso, destacando a relevância do trabalho com abelhas parab o meio ambiente e para a agricultura familiar. Segundo os facilitadores, as abelhas desempenham papel fundamental como agentes polinizadores, contribuindo diretamente para o aumento da produtividade de culturas agrícolas já presentes na comunidade. Além disso, a atividade foi apontada como uma alternativa importante para diversificação da produção, promoção da segurança alimentar e nutricional devido aos nutrientes presentes no mel e geração de renda por meio da comercialização de subprodutos como própolis, cera e geleia real.

Durante o curso, os participantes tiveram acesso a conteúdos teóricos e práticos sobre apicultura, e principalmente da criação de abelhas do gênero Apis, especialmente a Apis mellifera, conhecida como abelha com ferrão. Foram abordadas técnicas essenciais de manejo, incluindo a instalação adequada do apiário, que deve respeitar uma distância mínima de 300 metros das residências, além da correta montagem das caixas com seus compartimentos. Outros pontos importantes tratados foram a captura da abelha rainha, alimentação das colmeias, e a importância das floradas naturais, bem como a possibilidade de suplementação alimentar com uma solução composta por 2 kg de açúcar e 1 litro de água, estratégia que contribui para o aumento da produtividade de mel e reduz o desgaste físico das abelhas.

Os participantes aprenderam sobre a correta instalação dos quadros e o posicionamento da cera, fatores determinantes para a boa construção dos favos, para armazenamento de mel ou para reprodução das abelhas. A segurança no manejo também foi enfatizada, com orientações sobre o uso de equipamentos de proteção individual, como macacões de tecido grosso com viseira, luvas e botas de borracha, além da necessidade de vedação adequada das vestimentas para evitar acidentes.

No segundo dia de formação, foi realizado um intercâmbio até a Casa do Mel da (ASSAMSI) Associação de Apicultores e Meliponicultores de Santa Inês. Na ocasião, Geraldo Brandão, representante da Associação, compartilhou o histórico do espaço, que anteriormente funcionava como um abatedouro desativado e foi transformado, por meio do esforço coletivo dos associados e apoio de políticas públicas, em uma agroindústria estruturada para o beneficiamento do mel. Durante a visita, os participantes conheceram os equipamentos utilizados no processamento, desde a retirada das melgueiras até as etapas de limpeza dos quadros, extração, envase e embalagem do mel. Também tiveram a oportunidade de realizar atividades práticas, vivenciando o processo de beneficiamento.

Ao final da visita, foi promovida uma roda de conversa para discutir os desafios enfrentados pela ASSAMSI, especialmente no que diz respeito à estruturação e comercialização da produção. A atividade foi amplamente avaliada de forma positiva pelos participantes, que expressaram gratidão pela oportunidade de aprendizado e já manifestaram interesse em dar continuidade à formação, com a realização de um futuro curso de meliponicultura. Essa é mais uma iniciativa da FASE, reforçando o potencial da apicultura como estratégia de desenvolvimento sustentável, promovendo preservação ambiental e melhoria da qualidade de vida das famílias rurais. 

O curso realizado faz parte do projeto ATER Biomas, executado pela FASE na comunidade com financiamento do Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Desenvolvimento Rural e Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (BAHIATER).

*Comunicadora da FASE Bahia