Keka Werneck
30/04/2026 14:35

Para valorizar quem produz alimento de verdade e a cultura popular, a Fase Mato Grosso apoiou um evento já tradicional na região de fronteira Brasil-Bolívia, a XIII Feira Pantaneira, que movimentou Cáceres de  22 a 24 de abril.

O pátio do campus Jane Vanini da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) foi o ponto de encontro de agricultores familiares, povos tradicionais, movimentos sociais e instituições parceiras, que receberam os visitantes, com comida gostosa, cheia de sabor da produção pantaneira, artesanatos, música e dança. Além disso, quem participou também discutiu política.  

Representando a Fase Mato Grosso no evento, Saguio Santos, coordenador da Rota de Comercialização “Caminhos da Agroecologia” (ROTA) e presidente da Coopervales, destacou que a feira é um espaço para reforçar o modelo da vida, contra o modelo da morte.

“A agroecologia é o nosso modelo de contraposição ao agronegócio no estado de Mato Grosso. A economia solidária também se contrapõe aos resultados econômicos das commodities. Precisamos encorajar esse trabalho. Parabenizo quem faz isso insistentemente e marca a nossa posição”, afirmou. Ele também chamou atenção para um dado importante. “A agricultura familiar é que põe comida na mesa do brasileiro. Somos nós que garantimos 70% do que nós comemos no dia a dia”, destacou.

A jovem estudante Vanessa Ribeiro, do MST, que ajudou na organização do evento, reforça. “Quem produz alimento é a agricultura familiar. Se o campo não planta, a cidade não janta”. Ela cantou e declamou poesia na feira. Para ela, é preciso sempre lutar com alegria e esperança. “Isso ajuda a gente a enfrentar as dificuldades do mundo, que já é tão duro, e a seguir com solidariedade internacional e afeto.” Já Fabiana Barros, da Unicafes Mato Grosso, resumiu bem o espírito da feira. “É um espaço de troca, de conhecer saberes e sabores dos agricultores do Pantanal.”

Programação

No dia 22 de abril, teve painel sobre comunidades quilombolas e cooperativismo solidário, além da abertura oficial. No dia 23, os debates passaram por juventudes, experiências de organização, cooperativismo indígena e a relação entre universidades e trabalho, além de oficina sobre o Selo Nacional da Agricultura Familiar. Já no dia 24, o foco foi o protagonismo das mulheres, redes de cooperação e o fortalecimento da economia solidária em Mato Grosso.

Ao longo de toda a feira, também ficou evidente uma cobrança: a necessidade de mais políticas públicas. Participantes destacaram que ainda existe a ideia de que a agricultura familiar “se vira sozinha”, quando, na verdade, precisa de apoio para continuar produzindo e garantindo alimento na mesa da população.

Realização

O evento é da UNEMAT, por meio do núcleo UNITRABALHO, coordenado pelo professor doutor Laudemir Luiz Zart, que organizou esta festa da cultura popular, juntamente com a Unicafs. A realização da feira foi possível com recursos do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), em parceria com a Universidade Federal de Goiás e a Fundação RTVE, dentro do programa Alimento no Prato.

 

*Assessora da FASE MT