Rebecka Santos
27/05/2026 14:36
Como as crianças percebem as mudanças climáticas em seus territórios? Quais espaços consideram seguros para brincar, conviver e circular? E o que elas têm a dizer sobre calor, chuva, enchentes e natureza em suas comunidades? Essas foram algumas das questões que orientaram a oficina de escuta realizada com crianças de Peixinhos, atividade integrante do Projeto ReNaturalizar Peixinhos. A iniciativa teve como foco fortalecer a participação infantil na construção de leituras sobre o território, ampliando formas de expressão e reconhecendo as crianças como sujeitos capazes de interpretar e produzir conhecimento sobre o lugar onde vivem.
A oficina buscou identificar percepções sobre o cotidiano comunitário e os impactos das mudanças climáticas, além de levantar pistas para futuras intervenções urbanas e atividades de co-criação conectadas às experiências das crianças. Também integrou o reconhecimento de estratégias comunitárias de prevenção e acolhimento diante de situações emergenciais, como chuvas intensas e alagamentos.
As crianças foram divididas em quatro equipes identificadas por cores (verde, azul, rosa e amarelo) e participaram de um jogo baseado em perguntas que estimulavam diferentes formas de percepção: “pensar”, “ouvir”, “sentir” e “ver”. Com desenhos, palavras-chave, tintas, pincéis e cartolinas, os grupos construíram um grande painel coletivo de percepções sobre o território. Símbolos como olhos, coração, cérebro e ouvido ajudaram a estimular formas de comunicação para além da linguagem verbal, valorizando expressões visuais, afetivas e sensoriais.
As perguntas abordavam temas ligados ao cotidiano, às relações comunitárias e às mudanças climáticas. Entre elas estavam: “Onde tem mais árvores na minha comunidade?”, “Qual o melhor lugar para brincar?”, “O que muda nos dias de calor?”, “O que eu mais vejo nos dias de chuva?” e “Quais histórias as pessoas mais antigas contam sobre a natureza em Peixinhos?”.
“Os desenhos e respostas revelaram observações importantes sobre o território. As crianças destacaram a necessidade de mais espaços de lazer e convivência para famílias e infâncias, além de apontarem como o calor intenso interfere no direito ao brincar e na ocupação dos espaços públicos”, destaca Flávia Moraes, técnica em agroecologia e integrante do projeto.
As chuvas e os alagamentos também apareceram de forma marcante nas produções. A Rua do Condor foi frequentemente mencionada como área vulnerável às enchentes, representadas nos desenhos por águas marrons e ruas tomadas pela lama. As imagens evidenciaram como eventos climáticos extremos já fazem parte do cotidiano das crianças e impactam diretamente suas experiências de circulação, segurança e convivência.
“A metodologia da oficina reforçou a importância do brincar, da arte e da escuta como ferramentas de desenvolvimento socioemocional e participação cidadã. Ao estimular crianças a observarem, sentirem e representarem seus territórios, a atividade também fortalece processos de pertencimento, memória e cuidado coletivo com a comunidade”, reforça Flávia, também educadora da FASE Pernambuco.
A oficina integra um conjunto de estratégias do Projeto Renaturalizar Peixinhos voltadas à construção de soluções territorializadas para adaptação climática, valorizando os saberes comunitários e a participação ativa de crianças, adolescentes e moradores nas transformações do território. O projeto é implementado através de Termo de Fomento com o Ministério das Cidades, e faz parte de da Ação de SbN nas Periferias, integrante da Estratégia Periferia sem Risco e dos Programas Periferia Viva e Cidades Verdes Resilientes da Secretaria Nacional de Periferias. As organizações gestoras do projeto são: FASE Pernambuco, INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades, CAUS – Cooperativa Arquitetura, Urbanismo e Sociedade e GCASC – Grupo Comunidade Assumindo Suas Crianças. Além disso, também conta com o apoio do Governo de Pernambuco e da Prefeitura de Olinda.
Fotos: Beto Figueroa
*Comunicadora da FASE PE




