10/06/2026 10:34
Nos dias 1º e 2º de junho, a FASE Amazônia promoveu o encontro Territórios Vivos, em Santarém (PA), reunindo lideranças comunitárias, representantes de organizações sociais, pesquisadores(as) e assessores(as) para debater os impactos da expansão logística da soja na região do Tapajós e construir estratégias coletivas de defesa dos territórios amazônicos.
O encontro ocorreu em um contexto de intensificação dos projetos de infraestrutura voltados à exportação de commodities pelo chamado Arco Norte, especialmente na região do Tapajós, onde avançam propostas de portos, hidrovias e corredores logísticos que afetam diretamente comunidades ribeirinhas, quilombolas, indígenas, assentamentos da reforma agrária e populações urbanas.
No primeiro dia a programação buscou aprofundar a compreensão sobre as transformações em curso na região. Os debates abordaram o significado do Arco Norte, suas implicações para os territórios amazônicos, os impactos sobre a agricultura familiar e as mudanças provocadas nas dinâmicas urbanas de Santarém. O encontro permitiu que enxergar com detalhes as relações entre a agenda climática, os chamados corredores logísticos verdes e os limites dos atuais indicadores de sustentabilidade utilizados para legitimar grandes empreendimentos. O educador Pedro Martins afirma que é necessário nesse momento encarar as chamadas máscaras ou maquiagem verde que os projetos vêm assumindo, “O que vemos são falsas soluções climáticas, não são projetos viáveis nem sustentáveis. E o indicador de redução de emissões de gases de efeito estufa que aparece nos discursos não pode ter peso maior que os outros indicadores socioambientais, não pode haver essa hierarquização”
Para o educador Yuri Rodrigues, o Encontro foi uma oportunidade de construir, a partir das experiências e percepções das comunidades, reflexões sobre como devem ser realizadas as avaliações socioambientais de projetos que impactam os territórios. “Os participantes discutiram critérios e elementos considerados fundamentais para que esses processos sejam efetivamente participativos, respeitem os modos de vida locais e garantam a proteção dos direitos coletivos” , detalhou o educador.
As discussões também ocorreram em torno das experiências de resistência, luta e justiça ambiental na Amazônia, destacando iniciativas de organização comunitária e instrumentos de defesa territorial diante do avanço de grandes empreendimentos.
O encontro reafirmou a importância de fortalecer o protagonismo das comunidades na definição dos rumos do desenvolvimento regional e de garantir que povos e comunidades tenham autonomia para participar e definir os processos de consulta, avaliação e tomada de decisão que afetam seus territórios. Ao promover o diálogo entre diferentes experiências e saberes, a FASE Amazônia contribui para a construção de alternativas que coloquem a justiça socioambiental, os direitos coletivos e a proteção dos territórios no centro do debate sobre o futuro da Amazônia.
