No mês em que se celebra o Dia Nacional da Consciência Negra, a FASE Bahia realizou uma oficina de Formação de Formadores sobre  racismo institucional e estrutural, um tema bastante discutido, que traz reflexões e ao mesmo tempo muitas dúvidas. A formação aconteceu no dia 09 de novembro em Mutuípe, município do  Vale do Jiquiriçá. Além dos educadores e coordenadores da FASE BA houve também a participação de representantes sindicais e convidados.

A formação partiu do pressuposto geral de que a  população em geral em algum momento pudesse se perguntar “Será que sou ou já fui racista em algum momento?”. Na formação foi possível entender que esse é um dos passos principais para o combate o racismo.

A palestrante convidada, Janira Jesus.

E foi  nessa perspectiva que a FASE Bahia convidou Janira Jesus, mulher negra, empoderada, que esteve à disposição dos participantes para dúvidas e alertas. Em as fala ela facilitou a interpretação do racismo institucional e estrutural e os participantes tiveram momentos de discussões e místicas. ”A lei vai se constituindo e vai se enraizando na sociedade a partir de quem tem mais força. Aqui no Brasil eram os portugueses e depois outros grupos europeus que constituíram uma elite que cristalizou a ideia de haver uma raça superior, mais bonita, que tem arte e cultura; e um grupo que não é gente, que é peça, coisa, que nós podemos coletar partes dessas peças para utilizar à medida da nossa conveniência e necessidade”, afirmou em sua palestra.

“A partir dessa ideia, um acarajé, alimento relacionado aos orixás do fogo, do raio, acaba por ser reorientado para ser vendido como bolinho de Jesus; a capoeira, originária principalmente dos povos de Angola, à medida que a sociedade branca violenta e genocida, decide levar a capoeira para a universidade. Se não tivermos cuidado, daqui uns dias, vão nos cobrar mestrado acadêmico para ser chamado de Mestre de capoeira”,  refletiu Janira.

A coordenadora da FASE Bahia, Rosélia Melo (à esquerda) e participante.

A coordenadora da FASE Bahia, Rosélia Melo justificou a realização da formação como fundamental para a igualdade de condições na atuação nos territórios “Trabalhando com ATER (Assistência Técnica e Extensão Rural), vemos a distinção que os agricultores fazem entre brancos e negros. O fato de eu ser branca faz com que os agricultores sempre se referenciem a mim como uma autoridade, mesmo que muitas vezes estivesse acompanhada de pessoas de cargos superiores ou de maior graduação”, lembra.