*Júlia Têtê

Pensando na grande importância das sementes para este período pós pandêmico e com a triste realidade que o Brasil está de volta ao mapa da fome, a Fase Bahia realizou uma oficina sobre a importância da preservação, identificação e conservação das sementes crioulas para a biodiversidade dos agroecossistemas familiares e garantia da Soberania e Segurança Alimentar e nutricional.

A oficina aconteceu na sede do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar – SINTRAF, do município de São Miguel das Matas, território Vale do Jiquiriçá e teve duração de três dias. As atividades foram conduzidas por José Henrique Ramos, Veronice Souza e Joelton Belau, educadores e técnicos da FASE na Bahia que atuam no município através do projeto de ATER Agroecologia. A atividade foi realizada com foco nas mulheres agricultoras jovens das comunidades de Areia Fina, Comum do Machado e Moenda Seca,

Responsável por alimentar animais e humanos, as sementes são fundamentais, seja como alimento direto ou matéria prima para atividades industriais. Os agricultores e agricultoras familiares são os maiores protagonistas na preservação destas sementes, muitos deles se alimentam, alguns doam e outros até trocam as suas sementes com as sementes dos vizinhos. “O nosso objetivo era que essas mulheres apresentassem as sementes crioulas que elas têm nas suas propriedades e resgatar a importância de guardar essas sementes. Então foi uma troca coletiva dos manejos e além disso elas puderam compartilhar as sementes”, relembra a educadora da FASE Bahia, Veronice Souza.

As participantes também falaram sobre a importância dessa oficina. “Foi muito produtiva porque todo mundo interagiu, e quis saber a produção, o tempo, a colheita, tiraram suas dúvidas. Eles ficaram bem à vontade. Saí de lá alegre e satisfeita, já tem agricultores pedindo que eu volte pra trabalhar sementes crioulas em suas comunidades. Isso é muito gratificante, eles querem saúde e aos poucos vamos plantando sementes no coração de cada um”, comemora Rosineide Souza Ribeiro, agricultora da comunidade Candeal.

“Aquela semente que germinar é quem vai começar trabalhar com outra pessoas e vai multiplicando. As sementes crioulas têm esse poder de interagir entre família, vizinhos, e todos ao seu redor porque essas sementes têm história, convivência, união, multiplicação, vida. É isso que eu tento passar, e precisamos cada vez mais de pessoas pra ajudar os agricultores a plantar de forma saudável, plantar saúde, uma alimentação boa para sua sobrevivência”, avalia a agricultora.