18/08/2025 12:12

De 30 de julho a 2 de agosto, Recife, Pernambuco, foi palco do 2º Encontro Nacional de Agricultura Urbana (ENAU), um espaço de reflexão, articulação e fortalecimento das práticas de agricultura urbana e do direito à cidade. Após dez anos, a iniciativa foi realizada presencialmente sob o tema “Cidades que plantam! Agriculturas urbanas na luta contra a fome e por justiça climática”, com uma programação que abordou a importância de ações sustentáveis e de resistência como estratégias de enfrentamento à insegurança alimentar e às mudanças climáticas.

A FASE integra a Articulação da Agricultura Urbana em Recife, junto a outras quatro organizações: Centro Nordestino de  Medicina Popular, Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá, Casa da Mulher do Nordeste e Associação Kapi’ wara. No Encontro, a organização foi representada por Luiza Melo, coordenadora, ee as educadoras Rosimere Nery e Natália Silva, todas da FASE Pernambuco, além de Maria Emília Pacheco, assessora do Núcleo de Políticas e Alternativas (NUPA) da FASE, que contribuíram para os diálogos e debates reforçando o papel da agricultura urbana na construção de cidades mais justas e sustentáveis. 

O encontro contou com a participação  de cerca de  300 agricultores e agricultoras urbanas, integrantes de ONGs, professores e professoras de universidades, profissionais da Fiocruz, gestores do município de Recife e dos Ministérios de Desenvolvimento Agrário e de Desenvolvimento Social. Foram criados vários momentos de reflexão, como mesas de debate, tendas com apresentação  de experiências, vivência e intercâmbio em áreas de ocupação urbana e bairros populares para refletir sobre iniciativas como hortas comunitárias e quintais produtivos com alimentos e plantas medicinais, coletivos de compostagem, cozinhas solidárias, projetos agroecológicos.

As cinco regiões do país organizaram suas tendas, na qual estava a experiência “Encantos do Maicá – turismo de base comunitária”, organizado pelo Departamento de Juventude da Associação de Moradores do Bairro Pérola do Maicá, em Santarém, no Pará,  como expressão da luta de resistência contra as ameaças de  grandes empreendimentos.  Sua trilha  leva à feira agroecológica, ao atelier do grupo de mulheres com suas sacolas ecológicas, aos quintais agroecológicos e observação das belas paisagens. Esse projeto é apoiado pelo Fundo Dema, no qual a FASE exerce papel de coordenação do Grupo Gestor.

Maria Emilia Pacheco ao lado do agricultor urbano da “Encantos do Maicá – turismo de base comunitária”.

Ao dialogar com as experiências apresentadas nas tendas,  em uma das mesas de debate,  Maria Emilia Pacheco destacou a diversidade dos sujeitos com forte liderança das mulheres e o sentido coletivo de suas práticas nas associações, grupos, articulação em redes, fóruns, concretizando parcerias com universidades, ONGs e, muitas vezes mostrando a importância do envolvimento da infância nas ações pedagógicas nas escolas e nos territórios. Ela chamou atenção também para os vários significados, como a produção de alimentação saudável  para o consumo,a geração de  renda e também o  sentido terapêutico, destacado especialmente pelas mulheres e sua concretização  com várias tecnologias sociais em diálogo com os princípios da agroecologia. Finalizou sua reflexão falando do potencial do movimento pela agricultura urbana de integrar de forma crescente a questão da gestão do espaço urbano, da democracia do acesso à terra contra a especulação fundiária articulando-se com o movimento pela Reforma Urbana. 

Os territórios de atuação da FASE, como a comunidade Caranguejo Tabaiares, na Ilha do Retiro, e Ilha de Deus, foram visitados por grupos de participantes. Nesses momentos, ocorreram troca de conhecimentos e experiências que já vêm sendo aplicados na região, fortalecendo o diálogo e a troca de saberes entre os participantes. O diálogo nessas áreas, especificamente, ressaltaram a dimensão da necessária integração das iniciativas de agricultura urbana e agenda fundante do direito à cidade, a exemplo da habitação, saneamento ambiental e acesso à água em comunidades periféricas com alto índice de vulnerabilidade e ausência histórica de acesso a direitos básicos.

Parte do encontro na horta de Caranguejo Tabaiares Resiste consistiu em momentos de troca de experiências.

A feira “Sabores e Saberes das Cidades” valorizou os sabores locais e o conhecimento popular, fortalecendo os laços entre comunidades e a alimentação urbana. Os debates abordaram temas como os sujeitos das agriculturas urbanas, a importância de políticas públicas de agricultura urbana, o combate à fome e as questões de justiça climática. 

O encontro contou com diversas ações de fortalecimento local, incluindo a alimentação preparada pela Cozinha Solidária do MTST, com produção agroecológica de agricultoras(es) da Região Metropolitana de Recife, além de ações de compostagem de resíduos orgânicos conduzidas pelo Coletivo Várzea Composta. As atividades culturais foram momentos de alegria e celebração, com música e um ato público com a leitura da Carta Pública na Praça da Várzea, onde aos sábados ocorre a feira agroecológica. O encontro estimulou o debate e apresentou propostas sobre a Agroecologia Urbana e sua relação com o direito à cidade.

Confira a Carta Política na íntegra aqui.