Laura Motta
31/08/2026 10:47

Entre os dias 2 e 5 de agosto, a FASE Espírito Santo participou de uma série de mobilizações no estado, construídas no âmbito da Campanha Nem Um Poço a Mais, em defesa dos territórios e das comunidades ameaçadas pela expansão da indústria do petróleo e gás. As atividades reuniram organizações sociais, movimentos populares, pescadores e pescadoras, comunidades quilombolas, pesquisadores, agentes de pastorais, artistas e outros sujeitos dos territórios em uma agenda que articulou arte, cultura, informação e mobilização social.

A programação teve início na Grande Vitória, com o Pedal Antipetroleiro, realizado pelo Instituto Social Capixaba (ISC), de Cariacica, que atua junto à Campanha Nem Um Poço a Mais. A atividade percorreu diferentes pontos da região, levando para as ruas o debate sobre os impactos da expansão da indústria do petróleo e gás no Espírito Santo e sobre os novos projetos previstos para o litoral capixaba. O pedal terminou na orla de Cariacica, onde aconteceu o Sarau Antipetroleiro da Campanha Nem Um Poço a Mais. A programação reuniu apresentações musicais, slam, teatro e performances, utilizando a arte e a cultura como ferramentas de mobilização e denúncia dos impactos da indústria fóssil nos territórios.

Foto: Brennon Henrique Mota de Freitas Lírio

No dia seguinte, a mobilização continuou no Centro de Vitória, com um ato que contou com apresentação teatral, música e panfletagem. A atividade levou novamente às ruas o debate sobre os impactos dos projetos de expansão da indústria de petróleo e gás e sobre seus efeitos para as comunidades e territórios costeiros.

Entre as iniciativas que geram preocupação estão a operação de “ship to ship” (transferência de petróleo entre embarcações), na Serra, e a instalação de um porto para descomissionamento de plataformas, em Vila Velha. Para a Campanha, o avanço dessas atividades amplia a pressão sobre territórios costeiros e comunidades que têm seus modos de vida diretamente relacionados à pesca e aos ecossistemas da região.

Após o ato em Vitória, a mobilização seguiu para Piúma, no sul do estado, onde a Campanha Nem Um Poço a Mais foi apresentada durante uma atividade na Câmara Municipal. O encontro ampliou o diálogo sobre os impactos da expansão da indústria de petróleo e gás e sobre os desafios enfrentados pelas comunidades e territórios capixabas.

Fotos: Brennon Henrique Mota de Freitas Lírio

Em Presidente Kennedy, mobilização denuncia impactos do Porto Central

Fotos: Brennon Henrique Mota de Freitas Lírio

A agenda seguiu em direção a Presidente Kennedy, onde a FASE e organizações parceiras participaram da Romaria das Neves, importante momento de mobilização e expressão cultural e religiosa da comunidade local, que também tem sido espaço de debate e denúncia sobre os impactos da instalação do Porto Central. O empreendimento, apresentado como um complexo industrial portuário voltado principalmente ao atendimento de atividades da indústria offshore, está localizado em uma região marcada pela presença de comunidades pesqueiras e por importantes áreas naturais e culturais.

Fotos: Brennon Henrique Mota de Freitas Lírio

Durante a Romaria, a Campanha Nem Um Poço a Mais ocupou uma tenda com instalação artística, exposições, materiais informativos e intervenções culturais. Também foi realizada uma oficina com pescadores e pescadoras, criando um espaço de diálogo sobre os impactos dos grandes projetos sobre os territórios e os modos de vida locais. A mobilização chamou atenção ainda para os impactos que a instalação do Porto Central pode provocar sobre a pesca artesanal, o Rio Itabapoana, áreas de alagados e ecossistemas costeiros, além das transformações previstas para a paisagem e para a relação das comunidades com o território.

Fotos: Brennon Henrique Mota de Freitas Lírio

Outro ponto de preocupação é a proximidade do empreendimento com o Santuário das Neves, patrimônio histórico e cultural associado à tradicional Romaria das Neves, que reúne milhares de pessoas todos os anos. A implantação do porto poderá alterar profundamente a paisagem e as condições de realização da manifestação religiosa.

Articulação entre territórios fortalece a luta contra novos projetos fósseis

A mobilização em Presidente Kennedy também reuniu participantes de diferentes territórios impactados pela indústria de petróleo e gás. Um grupo vindo do Rio de Janeiro se somou às atividades, fortalecendo a articulação entre comunidades e organizações que enfrentam impactos semelhantes em diferentes regiões. Para a FASE, a construção dessas alianças é fundamental para fortalecer a resistência das comunidades e ampliar o debate sobre os impactos sociais e ambientais associados à expansão da indústria fóssil.

As atividades realizadas no Espírito Santo fazem parte da mobilização permanente da Campanha Nem Um Poço a Mais, que reúne organizações, movimentos e comunidades em defesa de uma transição energética justa, dos territórios e dos modos de vida ameaçados pela expansão da exploração de petróleo e gás. A FASE integra a Campanha Nem Um Poço a Mais e atua na defesa dos direitos das populações e comunidades que enfrentam os impactos dos grandes projetos e da expansão da indústria fóssil nos territórios.

Fotos: Brennon Henrique Mota de Freitas Lírio

*Comunicadora da FASE