Rebecka Santos
05/11/2026 11:51
Primeira oficina do novo ciclo reuniu mulheres de comunidades da bacia do Rio Tejipió e educadoras da FASE Pernambuco para debater crise climática, racismo ambiental e justiça climática
Após o seminário de abertura da segunda fase do projeto Tejipió Consciente, a FASE Pernambuco realizou uma oficina de letramento climático que reuniu mulheres de comunidades da bacia do Rio Tejipió e educadoras da FASE Pernambuco. O encontro focou na compreensão dos impactos das mudanças climáticas, das desigualdades socioambientais e dos caminhos coletivos para transformar essa realidade.
A oficina partiu de conceitos como aquecimento global, crise climática, ameaça, risco e vulnerabilidade para discutir como os fenômenos ambientais se relacionam com as condições de vida das populações. A formação também abordou adaptação e mitigação climática, resiliência, justiça climática, racismo ambiental e direito humano ao meio ambiente saudável, aproximando os debates das experiências vividas pelas mulheres em seus territórios.
“Chuvas fortes, alagamentos, precariedade habitacional e falta de infraestrutura de drenagem não atingem todas as pessoas da mesma forma. A distribuição desigual de recursos, a insuficiência de políticas públicas e as condições de ocupação urbana contribuem para ampliar os riscos enfrentados por comunidades periféricas”, explica Géssica Dias, educadora da FASE PE.
A vulnerabilidade das mulheres diante das mudanças climáticas está relacionada às desigualdades socioeconômicas e de gênero que limitam o acesso a recursos, direitos e condições de proteção. Segundo o relatório Progresso nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: O panorama de gênero 2025, da Organização das Nações Unidas (ONU), 9,2% das mulheres vivem em extrema pobreza em 2025, em comparação a 8,6% dos homens.
Esse cenário tende a se agravar com a crise climática: até 2050, 158,3 milhões de mulheres e meninas poderão ser empurradas para a extrema pobreza em decorrência dos impactos das mudanças climáticas. Os dados evidenciam que os efeitos da crise não são iguais para todas as pessoas e que as mulheres, especialmente aquelas em situação de maior vulnerabilidade social, enfrentam obstáculos adicionais para proteger suas vidas, garantir sua subsistência e reconstruir suas condições de existência após eventos extremos.
“É nesse contexto que o letramento climático se torna uma ferramenta de formação política. Ao compreender como os riscos são produzidos e distribuídos, as participantes podem relacionar situações do cotidiano a processos mais amplos e fortalecer sua capacidade de reivindicar direitos, participar das decisões públicas e construir respostas coletivas”, completa Géssica.
Com recursos do Governo do Estado de Pernambuco, por meio de emenda parlamentar do mandato do deputado estadual João Paulo, a iniciativa tem o apoio de organizações de base como o Fórum Popular do Rio Tejipió (FORTE), o Instituto Transformar e o Instituto Solidare.
*Comunicadora da FASE Pernambuco





