Isabelle Rodrigues
20/10/2026 14:47

Como as mudanças climáticas afetam a vida da população de Duque de Caxias? De que maneira esses impactos se relacionam com as desigualdades e injustiças socioambientais presentes no território? Essas foram algumas das questões que orientaram a roda de conversa “Mudanças Climáticas em Duque de Caxias: como afetam a vida no território e o que pode ser transformado?”, realizada pela FASE Rio de Janeiro, em parceria com a Associação Mulheres de Atitude e Compromisso Social (AMAC), no dia 30 de setembro.

Realizada na sede da AMAC, no bairro de São Bento, em Duque de Caxias (RJ), a atividade reuniu mulheres e jovens para um momento de troca, reflexão e construção coletiva sobre as transformações vividas no município. A proposta foi discutir as mudanças climáticas não apenas a partir de conceitos gerais, mas tomando como ponto de partida as experiências de quem vive e atua no território.

Segundo Clara de Lima, educadora da FASE RJ, o encontro começou com um resgate histórico e territorial de Duque de Caxias. A discussão passou pela presença de povos indígenas, sambaquis e a relação histórica da população com o Rio Iguaçu. “Os participantes relataram que já tiveram familiares, avós e avôs que tinham uma relação muito diferente com o Rio Iguaçu. Uma relação de se banhar, de pesca, e que hoje é uma realidade completamente diferente”, relata Clara. A relação com o Rio Iguaçu foi utilizada como exemplo das transformações ambientais e sociais ocorridas no território e de como os impactos ambientais se distribuem de maneira desigual.

A atividade também abordou conceitos como racismo ambiental e “zonas de sacrifício”, utilizados para compreender situações em que determinados territórios e populações são submetidos de forma desigual à degradação ambiental e aos impactos de atividades poluentes. Em uma dinâmica de grupo, participantes analisaram casos considerados emblemáticos de injustiças socioambientais em Duque de Caxias. Entre os exemplos debatidos  estavam a poluição atmosférica associada à Refinaria Duque de Caxias (Reduc), a contaminação do solo na Cidade dos Meninos e os passivos ambientais do antigo Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho. A discussão também relacionou essas situações aos efeitos das mudanças climáticas vivenciados no município, como enchentes, inundações e ondas de calor, evidenciando como esses impactos se somam a problemas socioambientais já existentes. 

A iniciativa está relacionada à atuação da FASE em articulações mais amplas de enfrentamento às injustiças socioambientais. A organização integra a Plataforma Latino-Americana e do Caribe para Justiça Climática (PLACJC), que desenvolve um mapeamento de casos de injustiça socioambiental em diferentes territórios. Para a FASE RJ, esse processo pode contribuir para o fortalecimento das organizações que atuam diretamente nos territórios. “A proposta é identificar essas injustiças socioambientais para contribuir com o mapeamento desenvolvido pela Plataforma Latino-Americana e do Caribe por Justiça Climática (PLACJC) e, ao mesmo tempo, fortalecer as organizações que atuam nos territórios, dar visibilidade a esses conflitos e ampliar suas conexões com outras lutas por justiça socioambiental”, destaca Clara.

A partir das experiências locais, a roda de conversa reforça a importância de reconhecer os territórios como espaços de produção de conhecimento e de construção de alternativas. Em Duque de Caxias, compreender as mudanças climáticas passa também por resgatar a história do município, identificar as desigualdades que permanecem e fortalecer as organizações e sujeitos que atuam na defesa dos territórios e da justiça socioambiental.

 

*Coordenadora de Comunicação da FASE