*Samis Vieira

Cerca de vinte agroextrativistas participaram da “Oficina de Capacitação sobre a Implantação Hortas Agroecológicas” na comunidade Água Fria, no projeto de Assentamento Agroextrativista PAE Lago, Santarém, região oeste do Pará. O encontro teve como objetivo criar um espaço rico de troca de saberes e construção de conhecimentos entre os participantes sobre seus modos de cultivar a terra e enriquecer ainda mais seus saberes, por meio de alternativas que estimulem a diversificação dos quintais produtivos agroecológicos, o uso sustentável do solo e a garantia da segurança alimentar e nutricional das famílias.

A metodologia de capacitação teve como eixo estratégico o trabalho com educação popular, a partir da construção de conhecimentos, partindo dos saberes dos agroextrativistas frutos de suas trajetórias ancestrais, ressaltando a importância do território e do bem viver com respeito a floresta, as águas, as plantas e aos animais para manutenção dos modos de vidas tradicionais.

Foto: Samis Vieira

 

Além disso, a formação contribuiu para o planejamento, implantação e manejo de hortas agroecológicas, onde  os agricultores puderam vivenciar diferentes práticas e técnicas sobre a escolha do local, preparo da área, seleção de sementes e mudas, técnicas de adubação e plantio.

Puxiruns

Outro ponto abordado foi sobre o estímulo para a formação de multiplicadores e multiplicadoras de conhecimentos em agroecologia, possibilitando o fortalecimento de ações coletivas de trocas, comércio solidário e doações entre as famílias, através dos puxiruns, que é uma prática ancestral realizada por comunidades e povos tradicionais, cujo objetivo é fortalecer o sentido comunitário e contribuir para difusão de saberes entre as famílias para a implantação de áreas de plantios e colheitas

Nas oficinas de capacitação buscamos construir um espaço rico de debates e reflexões partindo da valorização das práticas tradicionais dos agricultores – quais as formas de produção, adubação, colheita e comercialização – mostrando a importância de cada espécie presente no ecossistema e sua função especifica para que a sucessão das plantas aconteça e os quintais se tornem cada vez mais biodiversos.

“Nessas oficinas ressaltando ainda a importância de manter o solo sempre coberto com matéria orgânica como folhas, galhos, ramos para proteger e alimentar os organismos que nele vivem, mantendo a sua humidade”, afirma Samis Vieira, educador popular da FASE Amazônia.

Os participantes destacaram o valor deste aprendizado.  “Esse curso tem sido um marco histórico na comunidade porque nunca participamos de nenhuma formação sobre hortaliças, apesar de termos uma grande experiência de plantio, da nossa forma tradicional”, avalia Ronivaldo, morador da comunidade Água Fria. “Durante esses dias de trabalho chegamos à conclusão que esses aprendizados vão contribuir muito para melhorar as práticas que já fazemos, porque essas pequenas técnicas aprendidas durante o curso vão fazer uma grande diferença em nossos plantios”, completa.

Foto: Samis Vieira

O encontro foi promovido pela FASE, em parceria com a Federação das Associações de Moradores e Comunidades do Assentamento Agroextrativista da Gleba Lago Grande – FEAGLE, Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Santarém – STTR e o Grupo Mãe Terra, através do Projeto Amazônia Agroecológica. Este tem como objetivo, promover a implantação de iniciativas agroecológicas como quintais produtivos, viveiros de mudas e apoio aos circuitos de comercialização, além de gerar renda às comunidades para recuperação e conservação da floresta com apoio do Fundo Amazônia.

 

*Samis Vieira é educador da FASE Amazônia